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IV
IAMBLICHUS. The exhortation to philosophy. Thomas M. Johnson. Grand Rapids, Mich: Phanes Pr, 1988.
- Exposição das exortações esotéricas e científicas, que informam sobre as essências primárias e ao mesmo tempo impelem à investigação teológica e intelectual, despertando para a mais alta sabedoria.
- Citação de Arquitas, que inicia seu tratado Sobre a Sabedoria comparando a sabedoria, em relação aos assuntos humanos, à superioridade da visão sobre os outros sentidos, do intelecto sobre a alma e do sol sobre as estrelas.
- A visão é o sentido de alcance mais extenso e multiforme; o intelecto é a parte suprema da alma, que julga o correto e subsiste como visão e poder das coisas mais honrosas; o sol é o olho e a alma das coisas naturais, tornando tudo visível, gerado e apreendido.
- A partir dessas analogias familiares, deduce-se a natureza e função (energeia) da sabedoria, exortando ao intelecto e à contemplação.
- Demonstração científica da preeminência da sabedoria, extrapolando as analogias para definir suas capacidades transcendentais.
- Se a visão é de longo alcance e multiforme, a sabedoria, analogamente, apreende as coisas mais remotas como presentes e compreende em si as formas de todos os seres.
- Se o intelecto é a parte suprema da alma, a sabedoria supera a razão (logos) e o pensamento discursivo (dianoia), contempla os seres por intuições simples (noeseis) e é a visão dos inteligíveis e o poder das energias mais divinas.
- Se o sol é o olho e a vida das coisas naturais, a sabedoria é o olho e a vida dos inteligíveis, fornece percepção dos inteligíveis a todos os seres e é a causa primeira de toda fabricação, geração e ordem no mundo.
- A dignidade e supremacia da sabedoria constituem, por si só, uma poderosa exortação para quem aspira à felicidade suprema.
- Exortação baseada na natureza do verdadeiro homem, conforme exposta por Arquitas.
- O homem foi gerado como o mais sábio dos animais terrestres, capaz de contemplar as coisas que verdadeiramente existem e obter de todas elas ciência e sabedoria.
- A divindade gravou nele o sistema da razão universal (logos), contendo todas as formas das coisas existentes e a significação de nomes e verbos, dotando-o de órgãos e poderes para essa finalidade.
- Portanto, é dever do homem esforçar-se pela sabedoria teológica e contemplativa, adquirir a ciência demonstrativa e a virtude da prudência, e apreender toda a ciência da lógica, pois é espectador tanto das coisas significadas por palavras quanto dos pensamentos expressos nos seres.
- Deve ainda visar à aquisição da sabedoria teórica em todo o ser enquanto ser, aprender cientificamente os princípios e critérios de todo conhecimento, contemplar o intelecto per se e a razão pura, e adquirir todas as virtudes, ciências matemáticas e artes.
- Esta exortação, fundamentada na natureza humana, desperta para a aquisição da filosofia como um todo.
- Método composto de exortação, que harmoniza a natureza peculiar do homem com a razão universal.
- O homem foi gerado para contemplar a razão de toda a natureza e a sabedoria; portanto, seu dever é adquirir e perscrutar a inteligência (nous) das coisas que verdadeiramente existem.
- A razão teórica do homem é parte da razão universal e da natureza intelectual do cosmos; viver de acordo com a natureza exige viver conforme tanto a razão humana quanto a divina.
- A felicidade só é alcançada mediante a filosofia, que nos permite adquirir e contemplar a sabedoria dos seres verdadeiros.
- Este método composto incita simultaneamente à filosofia teórica (contemplação) e à prática (aquisição efetiva da sabedoria).
- Exortação que evidencia a universalidade e a autossuficiência da sabedoria.
- A sabedoria não se ocupa de uma parte particular do ser, mas estende-se comumente a todos os seres, investiga os princípios de todas as coisas e os contempla em seus gêneros por intuições simples, à semelhança da visão que apreende o visível.
- Compreende universalmente as razões produtivas de todas as coisas e especula discursivamente com referência a esse fim.
- É a única ciência que não se baseia em hipótese, pois descobre os princípios de todos os seres e pode dar as razões de seus próprios princípios característicos.
- A aspiração a uma sabedoria tão universal, perfeita, comum, autossuficiente, boa e bela é, portanto, o caminho para a felicidade através da razão e do intelecto.
- Culminação da exortação teológica, que eleva à contemplação do princípio único e divino.
- O mais sábio é aquele capaz de reduzir todos os gêneros a um único e mesmo princípio e, em seguida, recolhê-los e contá-los (connumerar) a partir dele.
- Essa ciência proporciona um belo lugar de observação (skopos), a partir do qual se pode contemplar a divindade e todas as coisas coordenadas e sucessivas a ela, subsistindo separadas ou distintas umas das outras.
- Aquele que percorre esta ampla estrada, impelido corretamente pelo intelecto, chega ao fim do curso e conjuga os começos com os fins, conhecendo que Deus é o princípio, meio e fim de todas as coisas realizadas conforme a justiça e a reta razão.
- O fim da exortação teológica não reside em muitos princípios, mas na análise de todos os gêneros a partir de um único princípio e na divisão numérica a partir dele, contemplando progressivamente o múltiplo e distante, para então reconduzir a multiplicidade à unidade através da proporção numérica.
- A sabedoria deseja a verdade e conduz a tal conhecimento do Uno todos os verdadeiros conhecedores da ciência teórica, sendo este o ápice de toda contemplação.
- O bem ainda mais excelente é aquele a partir do qual, como de uma torre de vigia, podemos contemplar a divindade e tudo o que está coordenado com ela.
- A ciência que permite vislumbrar a divindade pura, encontrar a estrada ampla que a ela conduz e conjugar os fins aos começos é a que deve ser ardentemente buscada, pois nela reside a vida e felicidade perfeitas, que percebem a unidade inseparável do princípio, meio e fim – natureza própria da causa divina.
- Síntese final: a exortação, considerando tudo o que está em nós, na natureza e, por assim dizer, através de todos os seres, reduz todos os modos de exortação a um único: aquele que conduz à divindade.
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