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V

IAMBLICHUS. The exhortation to philosophy. Thomas M. Johnson. Grand Rapids, Mich: Phanes Pr, 1988.

  • Divisões pitagóricas da exortação, que incitam ao estudo da filosofia através de demonstrações científicas e deduções lógicas, partindo da premissa de que todos os homens desejam ser felizes.
    • A felicidade depende da posse de bens, que se dividem em corporais (simetria, proporção, força), externos (nobreza, poder, honras) e psíquicos (castidade, justiça, coragem, e sobretudo sabedoria ou insight).
    • A mera posse de bens não garante a felicidade; é necessário usá-los, e usá-los corretamente, sendo a ciência (episteme) que ensina o uso correto e descobre a reta razão da ação.
    • Sem prudência e sabedoria, os outros bens são inúteis ou até nocivos, pois o poder que conferem pode servir a um líder maligno (a ignorância).
    • Conclusão: somente a sabedoria é boa por si mesma, e a ignorância é má. Portanto, para ser feliz, é necessário filosofar, isto é, desejar e adquirir a ciência que une a produção, o produto e o uso correto do bem.
  • Divisão que estabelece a hierarquia entre alma e corpo, exortando ao cultivo da parte divina e governante.
    • A alma é divina, boa, governante e característica do ser; o corpo é servo, instrumento e subordinado.
    • Deve-se cuidar prioritariamente da alma, usando o corpo e os bens materiais em seu serviço.
    • Erram aqueles que buscam riqueza negligenciando a justiça, ou cuidam da saúde sem saber usá-la retamente, ou ignoram a ciência que produz harmonia (a filosofia).
  • Divisão tripartite entre o indivíduo (a alma), o que lhe pertence (o corpo) e os apetrechos do corpo (bens materiais), conduzindo à necessidade do autoconhecimento.
    • Conhecer apenas as coisas do corpo é conhecer o que é seu, mas não a si mesmo. Artes mecânicas e profissões voltadas para o corpo carecem de autoconhecimento.
    • A temperança (sophrosyne) é o conhecimento da alma e a virtude que a torna melhor. Quem deseja regular a vida conforme sua essência e tornar-se belo e bom deve buscar antes de tudo essa virtude.
    • A alma, após os deuses, é a posse mais divina e íntima; honrá-la significa viver conforme a reta razão, aperfeiçoá-la segundo o intelecto e assemelhá-la aos melhores exemplares.
  • Exortação baseada na tripartição da alma em racional (logistikon), irascível (thymoeides) e concupiscível (epithymetikon), e na necessidade de harmonizar suas funções sob o governo da parte divina.
    • Cada parte tem movimentos característicos; a inatividade as enfraquece, o exercício as fortalece. Deve-se cuidar para que seus movimentos sejam harmoniosos.
    • A parte principal (racional) é o daimon dado por Deus, que nos eleva à afinidade celeste. Cultivá-la é cultivar o divino em nós.
    • Quem se dedica apenas aos desejos e ambições torna-se mortal; quem busca o conhecimento e a sabedoria adquire pensamentos imortais e divinos, aproximando-se da imortalidade.
    • É preciso alimentar o “homem interior” (a parte racional) e submeter o “monstro multifário” (o desejo) e o “leão” (a irascibilidade) ao seu governo, reconciliando todas as partes.
    • A intemperança, a arrogância e a luxúria surgem quando as partes inferiores crescem desproporcionalmente e subjugam a razão.
  • Exortação que deriva da finalidade natural do homem, considerado um composto de alma e corpo, onde a alma melhor governa o corpo pior, e o intelecto (nous) é o fim último.
    • Toda a natureza age com um fim; o homem, imitador da natureza, deve visar a seu fim próprio: a vida conforme o intelecto.
    • O corpo existe por causa da alma, e a parte irracional da alma por causa da racional; portanto, todas as coisas existem por causa do intelecto.
    • Os pensamentos (noeseis) do intelecto são energias que apreendem os inteligíveis; eles são livres quando buscados por si mesmos, superiores aos pensamentos “servis” voltados à utilidade.
    • As contemplações (theoriai) que visam à sabedoria pura são mais honrosas que as ações práticas, ainda que estas sejam necessárias e devam ser reguladas pelo intelecto.
  • Conclusão sobre a vida teórica como distintivo humano e caminho para a felicidade imperturbável.
    • O que nos distingue dos animais é a vida contemplativa ou teórica, na qual reside a sabedoria que habita com os deuses.
    • O homem privado do intelecto torna-se planta ou animal; com o intelecto, assemelha-se a Deus.
    • Deve-se extinguir as paixões do elemento irracional e usar as energias puras do intelecto, contemplando o divino por si mesmo, não por utilidade.
    • A justiça e o julgamento conforme o valor, guiados pelo intelecto, são os únicos capazes de produzir verdadeira felicidade.
    • Quem se liberta das coisas sujeitas à fortuna e vive a partir de si mesmo, unido ao divino, possui uma beatitude inalienável.
    • Portanto, todas essas divisões pitagóricas convergem para uma única exortação: é necessário filosofar para ser feliz.
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