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Papel Teúrgico do Veículo da Alma
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Contextualização da investigação: retomada das questões sobre destino do veículo após separação da alma racional e razões da singularidade da teoria jambliqueana.
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Estrutura argumentativa: resposta baseada na filosofia religiosa de Jâmblico, com evidências dos Oráculos Caldaicos e dos escritos de Juliano.
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Definição da teurgia como dom hierático que proporciona purificação da alma, treinamento da faculdade racional (dianoia) e, finalmente, união com os deuses doadores de bens.
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Identificação do rito específico: a elevação (anagoge) caldaica, sacramentum que estrutura a salvação em três fases: purificação, libertação do destino (heimarmene) e união divina.
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Concordância com os Oráculos Caldaicos sobre a necessidade de purificação, apesar da divergência quanto à composição do veículo.
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O veículo, contaminado pela matéria durante a encarnação, precisa ser purificado para permitir a ascensão da alma.
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Mecanismo da purificação: iluminação (epilampsis) divina que remove manchas (khome) e paixões, restaurando o estado pré-descensional da alma.
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Exemplo do oráculo de Claro: a água iluminada por Apolo purifica o pneuma augoeides (veículo luminoso) da sacerdotisa, capacitando-a para receber o deus.
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Princípio geral: nenhum contato com os deuses é possível sem prévia purificação do veículo, que é o receptáculo da luz divina.
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Adaptação jambliqueana da doutrina caldaica: o poder de elevar a alma não pertence exclusivamente ao sol, mas a todos os deuses visíveis e grandes gêneros.
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Razão platônica para esta ampliação: a doutrina da sementeira (spora) demiúrgica. Cada alma retorna (anodos) ao seu deus líder (hegemon theos) específico, conforme fora semeada.
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Concepção de uma série (seira) divina: cada deus líder possui um séquito de grandes gêneros (arcanjos, anjos, heróis, demônios), formando uma cadeia contínua de mediação.
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Reconciliamento entre Platão e os Oráculos Caldaicos: a síntese metafísica exposta por Juliano em seus hinos.
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Três reinos (noético, noérico, visível) com um regente (hegemon) em cada: Aion/Um, Hélio/Demiurgo, Sol visível.
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Cada regente é emanação vertical do anterior e age como médio (mesotes) que une os reinos superior e inferior.
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O sol visível é emanação horizontal de Hélio, seu princípio ativo no reino visível e líder dos demais deuses visíveis.
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O poder elevador (anagogikos) emanado de Hélio através dos raios solares é compartilhado por todos os deuses visíveis.
Papel de divindades mediadoras específicas: Cíbele (noética) e Átis (noérico).-
Cíbele, mãe dos deuses, é a providente (pronoia) noética que desce ao reino de Hélio.
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Átis é a essência (ousia) do nous demiúrgico imanente no reino encósmico, semelhante aos raios solares.
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Átis e os raios de Hélio constituem o conduto pelo qual as almas purificadas são elevadas.
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Processo de elevação: a alma, com seu veículo, ascende pelos raios solares (veículo análogo) graças à energia noérica de Hélio/Átis, até as substâncias congêneres (syngeneis ousiai) – os veículos dos deuses visíveis.
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Dupla função teúrgica do veículo etéreo:
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Primeira função: ser purificado pela luz divina, tornando-se receptivo à união.
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Segunda função: ser preenchido por imagens (phantasmata) divinas durante a iluminação, suprimindo toda atividade imaginativa e perceptiva inferior.
Suspensão das faculdades inferiores: na união teúrgica, cessam aisthesis, synaisthesis e atividade emocional ou errônea da imaginação.Atividade das faculdades superiores: permanecem alertas a prosoché (atenção) e dianoia (pensamento discursivo), conscientes do processo.-
Capacidade da alma racional purificada para uma existência separada do veículo e da alma irracional, ascendendo a reinos superiores.
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O veículo e a alma irracional, ambos imortais, permanecem no reino encósmico.
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Interpretação do mito do Fedro: o auriga (alma racional) eleva a cabeça (a parte mais alta) para contemplar o lugar supracelestial (reino noético), enquanto o veículo e os cavalos (alma irracional) permanecem no séquito divino.
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Papel do Uno da alma (to hen tes psyches): faculdade superior ao nous, identificada com o κυβερνήτης (governador) do Fedro, que contempla as Formas mediante união (enosis), não por apreensão discursiva.
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Destino do veículo separado: não existe como daimon na atmosfera, nem no reino noético, mas permanece unido ao veículo do deus líder, imitando seu movimento circular, conforme atestado por Proclo.
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Possibilidade raríssima de união hipercósmica: almas teúrgicas perfeitas podem, em casos excepcionais, unir-se ao próprio Um (Aion), transcendendo até mesmo o Demiurgo.
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Rejeição da doutrina porfiriana da dispersão do veículo do filósofo, alegadamente baseada em má interpretação dos Oráculos Caldaicos.
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Doutrina caldaica das almas dos teurgistas (teleostai): após a morte, não permanecem eternamente no reino noético, mas recebem a ordem (taxis) angelical e retornam à geração para auxiliar outras almas.
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Doutrina jambliqueana da superintendência (prostasia ton tede): almas purificadas, mesmo após a libertação, retornam ao cosmos para governar (syndioikousi) e administrar o universo junto com deuses e anjos, visando preservação, purificação e perfeição do reino inferior.
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Necessidade do veículo imortal: para exercer esta função administrativa encósmica, a alma necessita de seu veículo etéreo original, já purificado e permanentemente ligado ao veículo do deus líder.
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