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TRATADO 14 (II, 2) - SOBRE O MOVIMENTO CIRCULAR

Enéada II,2

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: Solução geral.

1-2. O movimento do céu imita o do Intelecto.

2-19. O movimento do céu resulta do movimento da alma e do corpo.

O movimento do corpo.

19-20. Se o corpo se move em círculo, como explicar o movimento do fogo, que se move naturalmente em linha reta?

20-27. Ou então o fogo começa a girar após ter se imobilizado no céu.

27-37. Ou então o fogo se curva ao contornar a esfera última do universo.

A ação da alma do mundo sobre o céu.

37-39. A alma não sente qualquer cansaço ao mover o fogo celeste.

39-44. A alma é onipresente, move-se por toda parte e permite que o céu esteja em toda parte.

44-51. A alma move-se sempre circularmente e arrasta sempre o céu consigo.

Capítulo 2: O movimento dos outros corpos.

1-3. As outras coisas são partes do universo e recebem dele seus movimentos.

3-5. O homem não é apenas uma parte do universo, mas existe em si mesmo.

O centro da alma e o centro do corpo.

5-11. A alma possui um centro inteligível e o corpo possui um centro local.

11-12. Visto que a alma gira em torno de seu próprio centro, o corpo faz o mesmo.

12-15. A alma gira em torno de Deus.

Todas as almas realizam um movimento de rotação.

15-16. Cada alma gira em torno de Deus.

16-22. Nossos corpos não adotam o mesmo movimento que nossa alma.

22-27. O movimento da alma em torno de seu próprio centro é atestado por Platão.

Capítulo 3: Nova formulação da solução.

1-15. A alma sensível permanece nas esferas e faz girar toda a esfera.

15-20. A alma celestial move-se por toda parte em busca do bem e move o corpo do céu.

20-22. O Intelecto, movendo-se em torno do Bem, faz com que o universo também se mova em círculo.

Bouillet

Ennéades

(§ I-III) O movimento circular do céu é a imagem do retorno a si mesmo que constitui a reflexão. Ele resulta tanto da natureza da Alma quanto da do corpo: o movimento próprio da Alma é o de conter; o movimento próprio do corpo é o de se deslocar em linha reta; da combinação desses dois movimentos resulta o movimento circular, no qual há simultaneamente translação e permanência, e que está em perfeita harmonia com a natureza do fogo celeste.

O movimento circular do céu é também uma consequência da natureza das três hipóstases. Pode-se representar o Bem como um centro, porque é o princípio do qual tudo depende e ao qual tudo aspira; a Inteligência, como um centro imóvel, porque possui e abrange o Bem imediatamente; a Alma, como um círculo móvel, movido pelo desejo, porque aspira ao Bem que está situado acima da Inteligência. A esfera celeste, possuindo a Alma, que assim aspira ao Bem, aspira ela própria, como um corpo pode fazê-lo, ao princípio fora do qual ela está, ou seja, procura estender-se em torno dele para possuí-lo em toda parte; consequentemente, gira e se move circularmente[8]. O movimento circular, que implica tanto translação quanto permanência, é a imagem do movimento da Inteligência que se dobra sobre si mesma.

O pneuma (espírito etéreo), que envolve nossa alma, tem um movimento circular como o céu; mas esse movimento é impedido pelo nosso corpo. Quando nossa alma obedece à influência do desejo e do amor, ela se move a si mesma e, por uma reação natural, produz um movimento no corpo ao qual está unida[9].

Igal

BCG57

I. INTRODUÇÃO (1, 1-8).

1. Causa exemplar: a Inteligência (1, 1).

2. Sujeito: a alma ou o corpo? (1, 1-2).

3. Eficácia da alma: (a) está em si mesma e voltada para si mesma?, ou se afasta?, ou está em si mesma como em algo não contínuo?; (b) não move o céu porque ela própria se move; © mas se ela não se move localmente, por que move localmente? (1, 2-8).

II. A ROTAÇÃO CELESTE COMO MOVIMENTO PSICOSOMÁTICO (1, 8-39).

1. Primariamente psíquico: uma atividade reflexiva, abrangente e vital da Alma cósmica (1, 8-14).

2. Incidentalemente espacial porque: (a) o fogo, ao chegar ao céu, é retido pela Alma e obrigado a girar (1, 14-23); (b) esse é ali seu movimento conatural e intrínseco (1, 23-27); © e, em todo caso, o único possível por falta de espaço (1, 27-31), (d) e o único que satisfaz sua tendência ao centro (1, 31-39).

III. A ROTAÇÃO CELESTE COMO PARTICIPAÇÃO NA ONIPRESENÇA (1, 39-2, 6).

1. Por meio da rotação, o céu participa da onipresença da Alma, alcançando-a em qualquer ponto de seu percurso (1, 39-51).

2. Em contrapartida, os corpos particulares estão retidos em um lugar parcial porque são meras partes do cosmos (2, 1-6).

IV. A ROTAÇÃO CELESTE COMO RESULTADO DA ROTAÇÃO DA ALMA (2, 6-27).

1. A Alma do cosmos se move circularmente porque ela própria se move em torno de Deus como centro (2, 6-16).

2. Os corpos humanos, exceto talvez o pneuma, não giram porque são imperfeitos (2, 16-22).

3. Os planetas, por outro lado, têm sua própria rotação (2, 22-27).

V. A ROTAÇÃO CELESTE COMO RESULTADO DE UM SISTEMA DE MOVIMENTOS PSÍQUICOS EM DIREÇÃO AO PRÓPRIO BEM (cap. 3).

1. O cosmos gira movido pela Alma vegetativa; esta, pela sensitiva; e esta, pela intelectiva (3, 1-20).

2. A Inteligência gira movida pelo Bem, e o cosmos a imita com seu movimento circular (3, 20-22).

Armstrong

APE

O que faz com que o céu se mova em círculo? Seu movimento não pode ser resultado de qualquer movimento local ou espacial da alma, pois a alma não se move espacialmente. O movimento do céu é local apenas acidentalmente; é um movimento de consciência e de vida, o movimento de um ser vivo dotado de alma. Não pode ser o movimento natural do fogo; o fogo, como todos os outros corpos, move-se naturalmente em linha reta; o movimento circular é resultado da providência, da ação da alma universal — não é, evidentemente, antinatural, pois a “natureza” é exatamente o que a alma universal determina. Argumento contra a ideia de um motor imóvel (cap. 1). Por que não nos movemos em círculos? Nossas almas, nossos eus reais, que são “totalidades privadas”, movem-se assim, girando amorosamente em torno de Deus; mas nossos corpos são apenas partes, e partes cuja natureza é mover-se em linhas retas (cap. 2). Explicação de Timeu 36E em termos da própria psicologia de Plotino (cap. 3).

Lloyd

LPE

§1. Embora o movimento natural de todos os corpos pareça ser reto, o movimento circular dos céus pode ser explicado recorrendo-se ao seu desejo pela alma, que está presente em toda parte nos céus, e ao tamanho limitado do universo. O próprio movimento da alma, que não é espacial, deve-se ao fato de ela imitar o Intelecto.

§2. O movimento circular primário das almas das coisas celestiais é espiritual, movendo-se em torno de Deus, e isso se torna um movimento circular espacial porque seus corpos são facilmente conduzidos por suas almas.

§3. O movimento espacial do universo resulta do movimento não espacial da alma do cosmos, que pode ser analisado em termos de suas partes superiores e inferiores.


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