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TRATADO 17 (II, 6) - SOBRE A REALIDADE OU SOBRE A QUALIDADE

Enéada II,6

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: Discussão sobre os respectivos estatutos da qualidade e do “complemento” da realidade sensível.

1-8. Relações entre o ser (ón) e a realidade (ousía) no inteligível.

8-29. É preciso estabelecer uma distinção entre as diferenças que completam a realidade sensível e as qualidades que lhe são exteriores.

30-33. Exemplo da brancura da neve e da ceruse.

33-40. Exemplo do calor, “ignidade do fogo visível”.

41-48. É preciso estabelecer uma distinção entre as razões substanciais e suas produções: as primeiras são inteligíveis e substanciais, as segundas são sensíveis e não substanciais.

48-56. Realidade sensível e realidade inteligível.

Capítulo 2: Exame geral da qualidade.

1-5. Interrogação sobre o que distingue a “qualidade por si só” do complemento da realidade qualificada.

6-15. Anterioridade da realidade sobre a qualidade. Determinação da realidade sensível como matéria, depois como forma e razão.

15-20. Interrogação sobre o status do composto.

20-34. Definição da qualidade como “aquilo que é exterior à realidade”. Exemplos que ilustram essa definição.

Capítulo 3: Estabelecimento das definições de qualidade, forma e ato da realidade sensível.

1-10. As qualidades “aqui” e “ali”.

10-14. O papel do raciocínio na “geração” de uma qualidade.

14-20. O calor inerente ao fogo e o calor externo.

20-29. Definições gerais de qualidade e forma da realidade sensível.

Bouillet

Ennéades

Este livro está relacionado com o anterior porque a essência é um ato.

(§ I) No mundo inteligível, as qualidades são diferenças essenciais no ser ou na essência. No mundo sensível, há dois tipos de qualidades: a qualidade essencial, que é uma propriedade da essência, e a simples qualidade, que faz com que a essência seja dessa maneira e que lhe confere uma certa disposição exterior. O que constitui uma quiddidade no mundo inteligível torna-se uma qualidade no mundo sensível.

(II-III) A essência é a forma e a razão. A qualidade é uma disposição, seja ela originária ou adventícia, na essência. A qualidade inteligível difere da qualidade sensível, pois a primeira é a propriedade que diferencia uma essência de outra essência, e a segunda consiste em uma simples modificação, um acidente, um hábito, uma disposição, que não faz parte da essência de um ser.

Igal

BCG57

I. MUNDO INTELIGÍVEL: TUDO É SUSTÂNCIA (1, 1-15).

1. A Sustância inteligível é um Todo composto por elementos formalmente distintos, mas substanciais: os Gêneros primários (1, 1-8).

2. As Qualidades daquele mundo são diferenças substanciais que diversificam as Substâncias inteligíveis (1, 8-15).

II. MUNDO SENSÍVEL: (A) SEÇÃO APORÉTICA (1, 15-58).

Quatro critérios tentativos para definir a qualidade:

1) Duas classes de qualidade: a diferença específica da substância e a acidental. — Comentário: uma mesma coisa pode ser diferença específica em um sujeito e mero acidente em outro (1, 15-22).

2) Duas classes de brancura: na razão seminal não é qualidade; na superfície é qualidade (1, 22-23).

3) Dois tipos de qualidade: a substancial individualizante e a mera qualidade. — Comentário: as mesmas características serão substanciais em alguns sujeitos e acidentais em outros (1, 23-40).

4) As razões seminais são substâncias e quidades; seus produtos sensíveis, qualidades. — Comentário: a substância sensível não é substância propriamente dita nem é composta por componentes substanciais; a Substância inteligível, por outro lado, é Substância real e é composta por componentes substanciais (1, 40-58).

III. MUNDO SENSÍVEL: (B) SEÇÃO SISTEMÁTICA (capítulos 2-3).

1. As características que são partes integrantes da substância sensível não são qualidades (caso contrário, a substância ficaria reduzida ao universal ou à matéria), mas razões e formas (2, 1-22).

2. Qualidade, propriamente dita, é uma disposição acrescentada à substância plenamente constituída (2, 23-34).

3. As características individualizantes não são qualidades, embora, quando abstraídas e concebidas em outro sujeito, possam sê-lo (3, 1-20).

4. Qualidades, propriamente ditas, são aquelas que são acessórias à substância, e não são atos nem formas que a conformam (3, 20-29).

Armstrong

APE

No mundo inteligível, tudo é substância. Que lugar, então, pode haver ali para a qualidade? A distinção aristotélica entre diferenciações essenciais e qualidades acidentais não se aplica — a mesma qualidade aparece em uma coisa como diferenciação, em outra como acidente; o branco, por exemplo, em “minério de chumbo branco” e “homem branco”. Devemos dizer, antes, que o que aqui é qualidade é substância no mundo inteligível (cap. 1). Exame crítico mais aprofundado da doutrina aristotélica da qualidade aplicada às coisas no mundo sensível, com a conclusão de que a noção de diferencia também é insatisfatória aqui, e que as diferenciações essenciais devem ser consideradas, não como qualidades, mas como atividades da substância e do princípio formativo; apenas as qualidades não essenciais e acidentais devem ser chamadas de qualidades (eh. 2). No mundo inteligível, as origens e os arquétipos mesmo dessas qualidades não essenciais são atividades substanciais, das quais a qualidade aqui é um traço ou sombra (eh. 3).

Lloyd

LPE

§1. No mundo inteligível, todas as coisas estão unidas, e todas as coisas são Substância (οὐσία), de modo que parece não haver lugar para as qualidades. No mundo sensível, distinguimos entre qualidades essenciais (differentiae) e qualidades não essenciais, mas estas são, na verdade, a mesma qualidade. Uma discussão sobre como essas qualidades sensíveis se relacionam com a Substância.

§2. Se as chamadas substâncias sensíveis podem ser analisadas como matéria mais princípios expressos (λόγοι), então as qualidades essenciais (differentiae) devem ser entendidas como atividades que procedem dos princípios expressos.

§3. Mesmo as qualidades não essenciais devem ser vistas como atividades. Assim, todas as chamadas qualidades, tanto sensíveis quanto inteligíveis, são, na verdade, atividades, embora as primeiras sejam traços e imagens das últimas.


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