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TRATADO 19 (I, 2) - SOBRE AS VIRTUDES

Enéada I,2

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: A virtude consiste em tornar-se semelhante a Deus; o status das virtudes cívicas.

1-10. Referência ao Teeteto. A qual deus a virtude nos torna semelhantes?

10-16. O divino não possui todas as virtudes.

16-21. As quatro virtudes: reflexão, coragem, autocontrole e justiça.

21-31. As virtudes cívicas não existem no divino, mas, mesmo assim, nos tornam semelhantes a ele.

31-40. Comparação com o calor, que não é o mesmo no fogo e em um objeto quente.

41-45. Participação. Exemplo da casa.

46-53. Paradoxo: a virtude nos torna semelhantes ao que não possui virtude.

Capítulo 2: Teoria da dupla assimilação.

1-4. Busca do elemento comum presente em nós e no mundo inteligível.

4-10. Os dois tipos de assimilação.

11-18. As virtudes cívicas impõem medida e limite aos desejos e às paixões.

19-26. Participar da forma é tornar-se semelhante a um princípio que é sem forma.

Capítulo 3: As virtudes em sua forma mais elevada são purificações.

1-10. Platão coloca a semelhança com o deus em virtudes mais elevadas do que as virtudes cívicas.

10-14. A alma ligada ao corpo recebe dele afetos e opiniões; mas, ao libertar-se deles, ela se purifica e possui a virtude.

15-19. O que são, na alma que se purifica, as quatro virtudes fundamentais (reflexão, temperança, coragem e justiça).

19-22. A disposição da alma impassível é semelhança com o divino.

23-27. Pensar não é a mesma coisa para a alma e para o Intelecto.

27-30. Linguagem articulada, linguagem interior da alma, linguagem anterior.

31. A virtude pertence propriamente à alma, não ao Intelecto e muito menos ao Um.

Capítulo 4: O efeito da purificação.

1-7. Estado de pureza e processo de purificação.

7-11. O que resta após a purificação.

12-17. A alma só pode unir-se ao bem voltando-se para ele.

18-25. A virtude é o que acontece à alma quando ela se volta para o bem. Contemplação e iluminação.

25-29. A alma possui impressões dos objetos inteligíveis que só se iluminam se ela se voltar para o Intelecto.

Capítulo 5: O estado da alma que se propõe a separar-se do corpo.

1-5. Até onde pode ir a purificação?

6-11. A alma impassível retém apenas as sensações necessárias.

12-16. Ira, medo.

17-20. Desejo.

21-31. A alma pura não conhece tensão entre sua parte irracional e sua parte racional.

Capítulo 6: As virtudes da alma purificada.

1-5. Os impulsos involuntários na alma são de caráter demoníaco.

6-11. Se esses impulsos desaparecerem, a alma, restaurada à sua origem, é simplesmente divina.

12-19. A virtude é a contemplação do que o intelecto possui. Diferença entre a virtude na alma e o análogo da virtude no intelecto.

19-23. Exemplo da justiça em si.

23-27. Extensão às outras virtudes.

Capítulo 7: Implicação mútua das virtudes.

1-8. Implicação mútua das quatro virtudes na alma e de seus modelos no Intelecto.

9-12. Pela purificação as virtudes são consumadas, as virtudes superiores implicando as inferiores.

13-21. Na vida do sábio, as virtudes superiores implicam as inferiores.

21-30. É preciso escolher viver não a vida do homem de bem, mas a vida dos deuses.

Igal

BCG57

I. PROBLEMA (I, 1-26). — Platão havia dito que, para evitar os males, «é preciso fugir daqui» e que essa fuga consiste em assemelhar-se a Deus por meio da virtude. A qual Deus? Em primeiro lugar, à Alma do cosmos. Ora, a Alma do cosmos carece de virtudes cívicas. Portanto, não é possível assemelhar-se a ela por meio dessas virtudes. Isso, no entanto, parece repugnar ao senso comum.

II. TRÊS PRINCÍPIOS DE SOLUÇÃO (1, 26-3, 31).

1. É possível assemelhar-se pela virtude, ainda que não em virtude, àquele que não possui virtude (1, 26-53).

2. Há duas formas de semelhança: recíproca, como a das cópias de um mesmo modelo entre si, e não recíproca, como a da cópia com seu modelo (2, 1-13).

3. Há dois graus de semelhança da alma com Deus: pelas virtudes cívicas, que, sendo medidas, tornam a alma semelhante à Medida transcendente, e pelas virtudes superiores, que, sendo purificações, a tornam semelhante a Deus em pureza (2, 13-3, 51).

III. AS VIRTUDES SUPERIORES (capítulos 4-6).

1. Não consistem propriamente nem no processo de purificação nem no estado de pureza resultante desse processo, mas em algo posterior e positivo: na contemplação das impressões do mundo inteligível como resultado da conversão da alma à Inteligência por meio da reminiscência (cap. 4).

2. A purificação tem por objetivo desvincular afetivamente a alma, inclusive a inferior, das coisas do corpo, evitando todo tipo de falhas, se possível até mesmo as não deliberadas: ao evitar as deliberadas, a alma torna-se uma mistura de deus e demônio; ao evitar até mesmo as não deliberadas, torna-se deus e recupera seu eu primitivo (5, 1-6, 11).

3. Enquanto as virtudes superiores são disposições da alma, modos de união da alma múltipla com a Inteligência, os Modelos homônimos dessas não são nem disposições nem virtudes, mas modos de união da Inteligência simples consigo mesma (6, 11-27).

IV. IMPLICAÇÃO MÚTUA DAS VIRTUDES (cap. 7). — As superiores implicam-se mutuamente, assim como seus Modelos inteligíveis. As do mesmo grau implicam-se umas às outras, e as superiores às inferiores, mas não o contrário.

Armstrong

APE

Fugimos dos males deste mundo ao nos tornarmos semelhantes a Deus por meio da virtude. Mas a que deus a virtude nos torna semelhantes? — talvez ao mais humilde dos três grandes princípios divinos, a Alma Universal. Mas será que esta realmente possui as virtudes cardinais? Ela não possui virtudes cívicas nem morais, mas estas, assim como as virtudes superiores, devem desempenhar seu papel para nos tornar semelhantes a Deus (cap. 1). As divindades possuem, não as virtudes tal como as temos, mas os princípios dos quais nossas virtudes derivam, e isso é suficiente para falarmos de “semelhança”, que significa algo diferente quando aplicada à relação de uma coisa derivada com sua origem do que significa quando aplicada à relação de duas coisas derivadas no mesmo nível (cap. 1-3). A distinção entre virtudes “cívicas” e “purificadoras” (cap. 3). O que exatamente entendemos por “purificação” (cap. 4). Seus efeitos sobre nosso eu superior e inferior (cap. 5). O que são as virtudes no estágio mais elevado de nosso desenvolvimento, quando estamos completamente livres de nosso eu inferior e não somos mais homens bons, mas deuses (cap. 6-7).

Lloyd

LPE

§1. Como a prática da virtude pode levar à assimilação ao divino, se os próprios deuses não praticam a virtude?

§2. Discussão sobre os diferentes sentidos da expressão “ser semelhantes a”.

§3. As virtudes como purificações.

§4. Os resultados da purificação.

§5. Os efeitos da purificação na alma.

§6. Purificação e assimilação.

§7. Se as virtudes superiores e inferiores se implicam mutuamente.


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