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TRATADO 36 (I, 5) - SE A FELICIDADE CRESCE COM O TEMPO

Enéada I,5

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: Introdução.

1-2. A felicidade aumenta com o tempo?

2-5. Não, pois a lembrança não contribui para a felicidade, que depende de um estado de espírito no presente.

Capítulo 2: Primeira dificuldade.

1-2. Dificuldade: quanto mais vivemos e agimos por mais tempo, mais nossa felicidade aumenta.

2-5. Primeira resposta: a felicidade não seria mais medida pela virtude.

5-6. Segunda resposta: a felicidade nunca será perfeita.

7-13. Terceira resposta: o desejo sempre visa algo presente.

Capítulo 3: Segunda dificuldade.

1-2. Dificuldade: ver certos objetos por mais tempo não aumenta nossa felicidade?

2-5. Resposta: não se ganha necessariamente ao ver o mesmo objeto por mais tempo.

Capítulo 4: Terceira dificuldade.

1. Dificuldade: quem vê um objeto por mais tempo desfruta dele por mais tempo.

1-5. Resposta: não se pode somar um prazer passado ao prazer presente.

Capítulo 5: Quarta dificuldade.

1-3. Dificuldade: aquele que só foi feliz periodicamente pode comparar sua felicidade à de uma pessoa cuja vida inteira foi feliz?

3-7. Resposta: comete-se aqui o erro de comparar, no momento exato em que estão infelizes, pessoas infelizes com aquelas que são felizes.

Capítulo 6: Quinta dificuldade.

1-6. Dificuldade: se as dores e as aflições prolongadas aumentam nossa infelicidade com o tempo, por que os bens não aumentariam a felicidade da mesma maneira?

6-23. Resposta: nossa dor aumenta porque a própria doença se agrava, não porque uma dor passada se soma à dor presente. Da mesma forma, a felicidade pode aumentar, no sentido de que alcançamos um grau mais elevado de virtude, mas nunca porque durou mais tempo.

Capítulo 7: Sexta dificuldade.

1-7. Dificuldade: por que, então, somamos os tempos passados ao tempo presente?

8-20. Resposta: a felicidade, ao contrário do tempo, deve ser inteiramente presente.

20-30. A felicidade corresponde à vida inteligível, que é eterna e atemporal.

Capítulo 8: Sétima dificuldade.

1-4. Dificuldade: a lembrança pode prolongar a felicidade?

4-11. Resposta: lembrar-se de uma reflexão ou de um prazer não aumenta a felicidade.

Capítulo 9: Oitava dificuldade.

1-2. Dificuldade: e se se tratasse da lembrança de coisas belas?

2-4. Resposta: isso só se aplicaria ao homem que carece de coisas belas.

Capítulo 10: Nona dificuldade.

1-3. Dificuldade: é possível realizar mais ações virtuosas se o tempo se prolongar.

3-23. Resposta: a felicidade reside em uma disposição da alma e não nas ações.

Igal

BCG57

I. INTRODUÇÃO (cap. 1).

1. A felicidade aumenta com o tempo?

2. Duas razões contrárias: 1) a lembrança de um passado feliz não influencia; 2) a felicidade depende de uma disposição presente.

II. OBJEÇÕES E RESPOSTAS (caps. 2-10).

1. A felicidade não aumenta porque os desejos são realizados: (a) caso contrário, a felicidade não seria medida pela virtude; (b) a felicidade dos deuses nunca seria perfeita; © o desejo do que está por vir é o desejo de que o que já está presente permaneça presente (cap. 2).

2. Quem é feliz por mais tempo não é, por isso, mais feliz (cap. 3-5): (a) nem porque desfruta do mesmo espetáculo por mais tempo (cap. 3); (b) nem porque o prazer é mais duradouro (cap. 4); © nem porque é feliz a vida toda (cap. 5).

3. As desgraças aumentam com o tempo porque o estado do corpo se deteriora; mas daí não se segue que a felicidade aumente com o tempo, a não ser indiretamente pelo crescimento na virtude (cap. 6).

4. A felicidade não se mede pelo tempo, mas pela eternidade, porque é a própria vida do Ser eterno (cap. 7).

5. A lembrança não aumenta a felicidade, nem a lembrança de uma sabedoria anterior, nem a de um prazer passado (cap. 8), nem a de coisas excelentes do passado (cap. 9).

6. A felicidade não está na ação, mas na boa disposição e na atividade internas da alma sábia (cap. 10).

Armstrong

APE

O bem-estar deve consistir em um estado presente real, não na memória ou na antecipação (capítulos 1-2). Breves refutações de argumentos contrários (capítulos 2-5). O caso do homem que se encontra em má situação (capítulo 6). Bem-estar, tempo e eternidade (capítulo 7). A memória das coisas boas e dos prazeres do passado não pode acrescentar nada ao bem-estar (capítulos 8-9). O bem-estar é uma questão, não principalmente de boas ações externas, mas de uma boa disposição interior (cap. 10).

Lloyd

LPE

§1. A felicidade está sempre no presente, não no passado nem no futuro.

§2. Isso é verdade mesmo que nossas ações estejam sempre voltadas para o futuro.

§3. Aumentar o tempo dedicado à contemplação não aumenta a felicidade.

§4. Aumentar o prazer não aumenta a felicidade.

§5. Comparações entre períodos de felicidade em vidas diferentes são ilícitas.

§6. A infelicidade pode aumentar com o tempo, mas a felicidade não.

§7. A felicidade transcende o tempo.

§§8–9. A memória de felicidade ou prazer anteriores não contribui para a felicidade.

§10. As ações virtuosas são o resultado, não a causa da felicidade interior.


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