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TRATADO 37 (II, 7) - SOBRE A MISTURA TOTAL

Enéada II,7

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: Análise preliminar das aporias.

1-8. É possível uma mistura total?

8-22. Três objeções peripatéticas contra a mistura total.

22-56. Análise das três objeções anteriores.

Capítulo 2: Solução plotiniana.

1-26. Não se pode negar a existência da mistura total em certos casos, o que refuta os peripatéticos.

26-43. A matéria e as qualidades, que são incorpóreas, não se opõem, em si mesmas, às misturas. São certas qualidades, como a “densidade”, que impedem a mistura.

Capítulo 3: O que é a corporeidade?

1-4. A corporeidade é ou um composto de matéria e qualidades, ou uma forma e uma razão.

4-11. A corporeidade é uma forma e uma razão.

11-14. O corpo é composto de uma matéria e de uma razão que não pode separar-se da matéria.

14-15. Somente uma razão que se encontra no Intelecto existe fora da matéria.

Bouillet

Ennéades

Este livro está relacionado com o anterior, pois nele são tratadas as qualidades que constituem a essência corporal.

(§ I) A mistura, que não deve ser confundida com a justaposição, tem como característica formar um todo homogêneo. Existem duas opiniões a esse respeito: segundo os peripatéticos, na mistura de dois corpos, apenas as qualidades se misturam e as extensões materiais são apenas justapostas; segundo os estóicos, dois corpos que constituem um composto penetram-se totalmente[26].

(II) Pode-se objetar aos estóicos que, se as qualidades se alteram e se confundem na mistura, o mesmo não pode acontecer com as extensões corporais; aos peripatéticos, que qualidades incorpóreas podem penetrar um corpo sem dividi-lo, e que a matéria não possui, em virtude de sua própria natureza, a impenetrabilidade mais do que qualquer outra qualidade.

(III) Se examinarmos a essência do corpo, vemos que ele é o composto de todas as qualidades reunidas com a matéria. Esse conjunto de qualidades constitui a corporeidade, que é uma forma, uma razão.

Igal

BCG57

I. SEÇÃO APORÉTICA (cap. 1).

1. Problema: é possível a compenetração total? De que maneira? A justaposição, evidentemente, não basta para explicá-la (1, 1-8).

2. Objeções peripatéticas contra os estoicos (1, 8-22):

1) os corpos se aniquilariam mutuamente (1, 8-15),

2) o volume não deveria aumentar (1, 15-20),

3) um corpo pequeno não pode se coextender com outro grande (1, 20-22).

3. Análise das objeções peripatéticas (1, 22-56):

— Objeção 1ª (1, 22-32):

(a)Réplica estoica: a compenetração não implica aniquilação (por exemplo, do suor e do corpo encharcado) (1, 22-30).

(b)Comentário de Plotino: se são corpos e se separam totalmente, se aniquilarão (1, 30-32).

—Objeção 2ª (1, 33-48):

(a) Objeção difícil, mas cabe responder que, assim como da compenetração de qualidades nasce uma nova qualidade, assim da compenetração de magnitudes nasce uma nova magnitude (1, 33-41).

(b)Contra-réplica peripatética: se as matérias e as massas se justapõem, haverá aumento de volume (1, 41-48).

—Objeção 3ª (1, 48-56): em casos claros de compenetração, é possível admitir uma certa dilatação; mas não é crível uma dilatação tão grande quanto supõem os estoicos.

II. SEÇÃO SISTEMÁTICA (cap. 2).

1. Há casos claros de penetração total (lã ou papiro encharcados) que não se explicam pela teoria peripatética, mesmo admitindo que haja aumento de volume (2, 1-26).

2. Se as qualidades podem interpenetrar-se sem se cortarem, também as matérias poderão interpenetrar-se sem se cortarem, dado que a matéria é tão incorpórea quanto as qualidades (2, 26-32).

3. O fator determinante para que haja ou não interpenetração não é a matéria, mas as qualidades e, enquanto tais, as qualidades (2, 32-43).

III. APÊNDICE SOBRE A CORPORALIDADE (cap. 3). — A corporalidade não é nem o composto total (matéria + qualidades) nem uma razão no sentido de definição, mas uma razão-forma (que inclui as qualidades) que, advindo sobre a matéria, a corporaliza.

Armstrong

APE

Resumo da discussão da questão por filósofos anteriores. As objeções dos peripatéticos à transfusão completa e as respostas estoicas a elas (cap. 1). A discussão do próprio Plotino, levando à conclusão de que a impenetrabilidade de um corpo se deve às suas qualidades, e não à matéria (cap. 2). Nota sobre o significado da corporeidade (cap. 3).

Lloyd

LPE

§1. Plotino refuta aqueles que sustentam que a suposta mistura é, na verdade, apenas um caso de justaposição. Ele concentra-se em duas outras posições: a daqueles que aceitam a mistura completa dos corpos (os estóicos) e a visão um pouco mais matizada daqueles que sustentam que a matéria dos corpos em questão está meramente justaposta, enquanto as qualidades são genuinamente compartilhadas (os peripatéticos). Ele examina ambas as visões em relação a três problemas: a divisão contínua, a expansão de corpos misturados e a mistura de corpos quantitativamente díspares.

§2. Plotino ataca a posição peripatética de que a matéria é o que impede a mistura. Uma vez que a matéria, assim como as qualidades, é incorpórea, ela também deveria ser capaz de atravessar um corpo. Essa conexão entre incorporeidade e mistura leva a uma análise da natureza da corporeidade.

§3. Uma breve investigação sobre a natureza da corporeidade e, em particular, sobre se existe um λόγος da corporeidade.


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