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TRATADO 46 (I, 4) - SE OS ANIMAIS PODEM SER DITOS FELIZES

Enéada I,4

Brisson & Pradeau

BP

Capítulos 1 e 2: Análise das teses anteriores.

  • Cap. 1: A felicidade pertence a seres vivos que não sejam o homem?
  • Cap. 2: É legítimo considerar a sensação e a razão como critérios de felicidade?

Capítulos 3 e 4: Definição de felicidade.

  • Cap. 3: A felicidade deve ser situada na vida.
  • Cap. 4: A posse da vida perfeita pelo homem.

Capítulos 5 a 10: A felicidade do sábio diante dos males.

  • Cap. 5, 1-9. Exposição inicial da dificuldade: os males não põem em causa a felicidade?
  • Cap. 5, 9-24. O lugar do corpo na busca da felicidade.
  • Cap. 6, 1-24. É preciso buscar alcançar o único fim, que é o bem verdadeiro, e não as coisas necessárias.
  • Cap. 6, 24-32. Justificativa dessa exigência: só se busca as coisas necessárias quando elas nos faltam.
  • Cap. 7, 1-14. Formulação da tese: a felicidade permanece intacta quando surgem os males.
  • Cap. 7, 14-47. Análise da validade dessa tese quando se trata de males considerados importantes.
  • Cap. 8, 1-9. Análise da validade dessa tese quando se trata de males que afetam pessoalmente o sábio.
  • Cap. 8, 9-30. Especificidade da atitude do sábio em relação aos males: a metáfora do atleta.
  • Cap. 9. A sabedoria e a felicidade resistem à perda da consciência.
  • Cap. 10. Excursus destinado a mostrar a independência do intelecto em relação à representação e às atividades em relação à consciência.

Capítulos 11 a 16: As características da vida do sábio.

  • Cap. 11. A vontade do sábio está voltada para o interior.
  • Cap. 12. Para o sábio, o prazer é a serenidade.
  • Cap. 13. A visão do bem pelo sábio não é suspensa pelo sofrimento.
  • Cap. 14. O sábio despreza os bens corporais e os bens externos.
  • Cap. 15, 1-9. Os bens corporais não aumentam a felicidade do sábio.
  • Cap. 15, 9-21. A ausência de medo do sábio.
  • Cap. 15, 21-25. A amizade do sábio para consigo mesmo e para com os outros.
  • Cap. 16, 1-13. A relação do sábio com o Intelecto.
  • Cap. 16, 13-29. A atitude do sábio em relação às outras coisas e, em particular, ao corpo: comparação com a conduta do músico em relação à sua lira.

Igal

BCG57

I. ANÁLISE CRÍTICA DE OUTRAS TEORIAS (capítulos 1-2).

1. A felicidade entendida como «a boa vida» no sentido de se sentir bem, ou de cumprimento da própria função, ou de realização do fim natural, ou de vida de prazer, ou de imperturbabilidade, ou de vida em conformidade com a natureza (1, 1-2, 31).

2. A felicidade entendida como “a vida racional” (2, 31-55).

II. POSIÇÃO DA PRÓPRIA TESE (cap. 34). — A felicidade consiste na vida da inteligência, ou seja:

1. Não na «vida» em geral, entendida em sentido unívoco, nem na «vida racional» entendida como soma de gênero e diferença específica (3, 1-16),

2. mas na vida de primeiro grau e perfeita, que é própria da inteligência e consubstancial a ela (3, 16-40),

3. e é também própria do homem, quer ele a possua em potência, quer a possua em ato (4, 1-20),

4. como prova o fato de que quem possui essa vida não necessita de nenhum outro bem e é imune a todo mal (4, 20-36).

III. OBJEÇÕES E RESPOSTAS (cap. 5-16).

1. A vida feliz não é afetada por calamidades, desastres ou dores (cap. 5-8), nem pela perda ou falta de consciência (cap. 9-10), nem por qualquer coisa externa (cap. 11).

2. É independente dos prazeres do corpo, dos vaivéns da fortuna, das afeições do composto e dos dons externos (capítulos 12-15).

3. É a vida do eu superior, que vive voltado para o Bem sem deixar, por isso, de ser gentil com o eu inferior (capítulo 16).

Armstrong

APE

Se a boa vida consiste simplesmente em desempenhar com sucesso as funções próprias e alcançar o fim natural, como pensa Aristóteles, não se pode negá-la a outros seres vivos, incluindo as plantas (cap. 1). A tentativa epicurista de definir a boa vida como um sentimento de prazer ou tranquilidade, um tipo específico de experiência consciente, também se desmorona quando analisada (cap. 2). A posição estoica, de que a boa vida é a vida da razão, está mais próxima da verdade, mas sua doutrina das “necessidades naturais primárias” confunde a questão (cap. 2). A boa vida, o verdadeiro bem humano, só pode ser o tipo de vida mais elevado e perfeito, o do Intelecto (que depende do Bem Absoluto como sua causa) (cap. 3). E para atingir a perfeição, o homem não deve apenas possuir o Intelecto, mas deve ser o próprio Intelecto, e assim perfeitamente virtuoso; e se ele for assim, terá tudo o que precisa para o bem-estar (cap. 4). Seu bem-estar não será afetado pela dor, pela doença e nem mesmo pela maior das desgraças (cap. 5—8): será até mesmo independente da consciência, que é algo secundário, o reflexo da vida do Intelecto no nível do composto corpo-alma (cap. 9-10). As circunstâncias externas e os bens corporais não acrescentarão nada ao seu bem-estar, e se ele tiver excesso deles, podem até mesmo prejudicá-lo; mas ele reconhecerá uma responsabilidade para com seu corpo e lhe dará o que ele realmente precisa (cap. 11-16).

Lloyd

LPE

§1. Se Aristóteles estiver certo ao afirmar que a melhor vida consiste no cumprimento da função de algo, então até mesmo os animais e as plantas não racionais podem ser felizes.

§2. A insustentabilidade da posição epicurista, que identifica a felicidade com a vida agradável. A posição estoica, segundo a qual a felicidade é a vida racional, é melhor, mas não se a racionalidade for entendida como o seguimento da natureza.

§3. A vida feliz só pode ser a vida do Intelecto em relação ao Bem.

§4. A vida feliz não se encontra apenas no Intelecto, mas requer o reconhecimento de nossa verdadeira identidade com nossos intelectos.

§5. Objeções peripatéticas à posição platônica baseadas no papel dos elementos externos na vida feliz.

§6. Respostas aos peripatéticos. Os elementos externos não contribuem para a nossa felicidade.

§7. Nem mesmo grandes infortúnios pessoais, sejam eles nossos ou de pessoas próximas a nós, podem diminuir a nossa felicidade.

§8. As dores físicas não diminuem a felicidade.

§9. Precisamos estar conscientes para sermos felizes?

§10. A atividade intelectual primária está além das representações mentais.

§11. Os fatores externos não aumentam a felicidade.

§12. O prazer único da vida intelectual.

§13. A pessoa feliz é imune à sorte.

§14. A felicidade de que falamos refere-se apenas à pessoa real, ao intelecto.

§15. A pessoa verdadeiramente feliz é indiferente ao estado do indivíduo encarnado, embora isso não exija desconsideração pelo corpo.

§16. O foco da vida feliz é apenas o Bem.


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