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TRATADO 51 (I, 8) - DA NATUREZA E ORIGEM DOS MALES

Enéada I,8

Brisson & Pradeau

BP

Capítulo 1: Questões sobre o mal.

1-6. Qual é a natureza do mal?

6-12. Como conhecer o mal?

12-20. A oposição entre o bem e o mal.

Capítulo 2: A natureza do bem.

1-9. O Bem.

10-23. O Intelecto.

23-32. A alma.

Capítulo 3: O mal e o não-ser.

1-12. Os diferentes modos de não-ser.

12-34. O mal como ausência de medida.

35-40. Identificação do “mal em si” e da matéria.

Capítulo 4: Os males secundários: males do corpo e vícios da alma.

1-5. Os males do corpo.

5-32. A alma má está misturada à matéria; a alma perfeita permanece preservada dela.

Capítulo 5: Como atribuir os males secundários à matéria?

1-5. Objeção: o mal primário é o vício que reside na alma.

5-20. Resposta: o mal como deficiência total.

20-21. Objeção: a doença ou a pobreza não têm origem na matéria.

21-28. Resposta: a pobreza, a feiura e a miséria estão ligadas a um excesso ou a uma deficiência devidos à influência da matéria.

28-35. Alguns homens são capazes de fugir dos males; os deuses sensíveis permanecem preservados do mal.

Capítulo 6: Exegese do Teeteto, 176a.

1-17. Citações do Teeteto, 176a: os males não podem desaparecer.

17-32. Objeções: o vício é o contrário da virtude, não do Bem; sendo o Bem sem qualidade, não pode ter um contrário; a existência de uma realidade não implica necessariamente a da realidade contrária; nem a ousia, nem o além da ousia têm um contrário.

32-59. Resposta: há dois princípios contrários, um dos bens, o outro dos males.

Capítulo 7: Continuação da exegese do Teeteto.

1-12. A matéria é necessária à existência do mundo.

12-16. Fuga do mal e existência “entre os deuses”.

16-23. A existência da matéria é necessária, pois ela é o “último” termo da emanação.

Capítulo 8: A união da alma e do corpo.

1-11. Objeção: o mal na alma provém da forma do corpo.

11-28. Resposta: é a matéria que explica por que a forma no corpo está enfraquecida e incapaz de garantir a ordem e a saúde.

28-37. As disposições do corpo determinam o estado da alma.

37-44. Distinção entre o mal primário e os males secundários.

Capítulo 9: O conhecimento do mal.

1-14. Vício absoluto e vício parcial.

14-26. O pensamento do informe.

Capítulo 10: Mal e ausência de qualidade.

1. Objeção: se a matéria é sem qualidade, como poderia ser qualificada de “má”?

2-16. Resposta: é precisamente a ausência de qualidade que torna a alma má.

Capítulo 11: Mal e privação.

1-9. Objeção: a privação não existe “em si mesma”, mas sempre “em outra coisa”.

10-19. Resposta: a alma não pode possuir em si mesma a privação do bem.

Capítulo 12: Vício e privação parcial.

1-3. Objeção: o vício na alma não é uma privação total, mas “uma certa privação” do bem.

3-7. Resposta: o vício é apenas um mal derivado e não o mal primário.

Capítulo 13: O mal como obstáculo.

1-2. Objeção: o mal é um obstáculo para o bem.

2-5. Resposta: o mal como obstáculo não é o mal primário.

5-14. Analogia entre a relação da virtude com o Bem e a relação do vício com o mal.

14-26. Distinção entre a contemplação do mal e a participação no mal.

Capítulo 14: A fraqueza da alma.

1-7. Objeção: o mal é apenas uma fraqueza da alma.

8-50. Resposta: é a matéria que é a causa da fraqueza da alma.

50-54. A matéria é gerada em consequência de uma “afetação” anterior da alma.

Capítulo 15: A alma pura permanece preservada do mal.

1-3. Objeção: a matéria não existe.

3-4. Objeção: o mal não existe.

4-12. Resposta: o bem e o mal estão misturados. Não se pode suprimir um sem fazer desaparecer o outro.

12-22. A alma pura, preservada de todo contato com a matéria, não sofre o mal.

22-28. Conclusão: no sensível, o mal-matéria permanece oculto e dominado pelo Bem.

Igal

BCG57

I. PROBLEMAS RELATIVOS AO MAL (cap. 1). — 1) natureza, 2) origem, 3) onde e entre quem reside, 4) se existe ou não, 5) como o conhecemos, 6) como se opõe ao Bem.

II. ONDE E ENTRE QUEM RESIDE (2, 1-3, 12).

1. Não entre os deuses, isto é, não nas Hipóstases divinas (cap. 2),

2. mas entre os não-seres, isto é, no mundo sensível e na qualidade de não-ser (3, 1-12).

III. NATUREZA DO MAL PRIMÁRIO (3, 12-40).

1. É o não-ser caracterizado por, ou melhor, identificado com: a) o sem medida, o ilimitado, informe e indeterminado, b) a penúria absoluta, o indigente e insaciado, c) o absolutamente instável e onipassível (3, 12-20).

2. É o Mal em si, não um mal inerente a um sujeito distinto (3, 20-34).

3. É o substrato que subjaz a todas as formas (3, 35-40).

IV. OS MALES SECUNDÁRIOS (capítulos 4-5).

1. Os corpos: são maus na medida em que participam da matéria; são um mal de segunda ordem (4, 1-5).

2. O vício: a alma não é má em si mesma, nem é má em sua totalidade; a alma irracional é má devido ao vício; ora, o vício é um mal secundário: origina-se pelo contato da alma com a matéria e não é um mal absoluto (4, 5; 5, 19)

3. Os males externos (doença, feiura, pobreza): devem-se à influência da matéria (5, 19-26).

4. O homem: não é mau por si mesmo e pode escapar dos males (5, 26-34).

V. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DO MAL (capítulos 6-8).

1. Porque deve haver um oposto ao Bem (cap. 6).

2. Porque o cosmos consiste em razão e necessidade (7, 1-16).

3. Porque deve haver um termo final na progressão (7, 16-23).

4. E esse mal primário identifica-se com a matéria, não com uma forma nem com o vício (cap. 8).

VI. CONHECIMENTO DO MAL (cap. 9).

1. O vício: por confronto com a norma da virtude; o vício completo negativamente, abstraindo-se da forma da virtude; o incompleto, em parte positivamente e em parte negativamente, como um rosto feio (9, 1-14).

2. A matéria: por total abstração de toda forma, com a consequente semelhança da mente com a matéria, de modo análogo ao que vemos na escuridão (9, 15-26).

VII. REFUTAÇÃO DE TEORIAS CONTRÁRIAS (cap. 10-15).

1. A matéria carece de qualidade. Portanto, não é má.

Resposta: ela é má precisamente porque carece de qualidade (cap. 10).

2. O mal é a privação do bem na alma.

Resposta: a alma não é má em si mesma; logo, o mal da alma não é o mal primário (cap. 11).

3. O mal é uma privação incompleta do bem na alma.

Resposta: será uma mistura de bem e de mal, não o mal primário (cap. 12).

4. O vício é um mal a modo de impedimento.

Resposta: então o vício será causa do mal, mas não o mal primário, que está abaixo do vício da mesma forma que o Bem está acima da virtude (cap. 13).

5. O vício é uma fraqueza da alma.

Resposta: a fraqueza da alma deve-se à irrupção da matéria no seu domínio, paralisando algumas de suas atividades e proporcionando-lhe, com sua presença, a ocasião de encarnar-se (cap. 14).

6. A matéria não existe.

Resposta: cf. II 4 (15, 1-3).

7. O mal não existe.

Resposta: abolir o mal equivaleria a abolir o bem, a virtude e o vício. O mal existe, apenas que está encoberto sob belas aparências (15, 3-28).

Armstrong

APE

O que é o mal e como o reconhecemos (cap. 1)? Ele não pode ser incluído no que existe nem no que está além da existência; não há mal no Bem, no intelecto ou na Alma (cap. 2). Deve ser, portanto, a inexistência absoluta, a ausência de forma e a imensurabilidade (cap. 3). Os corpos são maus em segundo grau, não o mal absoluto, e a alma não é de forma alguma má em si mesma; sua maldade provém da matéria (cap. 4). A matéria é a deficiência absoluta, não um mal específico, mas a fonte de todos eles (cap. 5). Comentário sobre um texto do Teeteto, com refutação das objeções extraídas da lógica de Aristóteles (cap. 6). Ligação do texto do Teeteto com textos do Timeu (cap. 7). Nunca é forma pura, mas forma na matéria e corrompida pela matéria que causa males particulares como a ignorância e os maus desejos (cap. 8). Conhecemos os males particulares comparando-os com o bem e percebendo a deficiência, mas o mal absoluto por meio de um processo de abstração extrema que leva a um “ver que não é ver” (cap. 9). A matéria é maligna por sua própria ausência de qualidade (cap. 10). Refutação dos argumentos que fazem do mal uma privação, um impedimento ou uma fraqueza na alma (cap. 11-14). A relação entre matéria e alma e a natureza da queda da alma na matéria (cap. 14). Resumo, com ênfase nas implicações morais da doutrina (cap. 15).

Lloyd

LPE

§1. O que é o mal e como se reconhece?

§2. Não pode haver mal no mundo inteligível.

§3. Ele deve, portanto, estar absolutamente desprovido de inteligibilidade e medida.

§4. Os corpos são maus apenas no que diz respeito ao elemento de ininteligibilidade que necessariamente possuem, e as almas são maus apenas na medida em que se associam ao mal presente nos corpos.

§5. A matéria é privação incondicional e, portanto, o mal.

§6. Comentário sobre o Teeteto de Platão 176 A em relação ao problema do mal.

§7. O uso de Timeu 47E–48A para interpretar o Teeteto.

§8. Os males na alma são vícios e surgem da associação com a matéria.

§9. Como pode ser conhecido aquilo que é totalmente incompreensível?

§10. A matéria é má porque é desprovida de quaisquer qualidades.

§11. O mal não pertence à alma.

§12. O mal não é privação parcial.

§13. A distinção entre o mal e o vício.

§14. O vício é uma doença psíquica.

§15. O mal e o bem.


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