TRATADO 53 (I, 1) - O ORGANISMO E O SI MESMO
Comentários Enéada I,1
Brisson & Pradeau
BP
Capítulos 1 a 7, 6: O sujeito da sensação é o composto vivo formado por um corpo e uma potência proveniente da alma.
Cap. 1. Qual é o sujeito da sensação?
Cap. 2-4. Análise e refutação de três respostas: (1) A própria alma; (2) a alma fazendo uso do corpo; (3) a alma entrelaçada ou misturada ao corpo.
(1) Cap. 2. A alma é, em si mesma, impassível e não misturada: as afeições, portanto, não podem pertencer a ela.
(2) Cap. 3, 3-17. Se considerarmos o corpo como instrumento da alma, esta não é afetada.
(3a) Cap. 3, 17-4, 18. Se considerarmos que a alma e o corpo estão entrelaçados, a alma não sofre necessariamente as afeições do corpo.
(3b) Cap. 4, 18-fim. Se considerarmos que a alma é a forma no corpo, que é a matéria, então a forma não é afetada.
Cap. 5. O que é um ser vivo? Definição do ser vivo e análise das dificuldades relativas às afeições do composto.
Cap. 6-7, 6. Como a alma confere aos corpos as potências psíquicas.
Cap. 6. A sensação e as potências psíquicas.
Cap. 7, 1-6. O sujeito da sensação é o composto.
Capítulos 7, 6 a 8: O que somos.
Cap. 7, 6-fim. Por que e como “nós” temos sensações, opiniões, raciocínios e intelectos.
Cap. 8, 1-8. Por que e como possuímos o Intelecto e as formas inteligíveis.
Cap. 8, 8-23. Como possuímos o Intelecto e o deus.
Capítulos 9 a 13: Nossa responsabilidade ética.
Cap. 10-12. O que somos e pelo que somos responsáveis.
Cap. 13. Como a alma e o Intelecto nos pertencem.
Igal
BCG57
I. PROBLEMA (cap. 1). — Qual é o sujeito das emoções e das ações e opiniões delas decorrentes? Qual é o sujeito dos raciocínios, opiniões e intuições? Qual é o sujeito da presente análise crítica? E, acima de tudo, qual é o sujeito da sensibilidade?
II. O SUJEITO DA VIDA SENSORIAL-AFETIVA (2, 1-7, 6).
1. O sujeito das sensações e das emoções não é nem a alma por si só, considerada em sua essência (cap. 2),
2. nem a alma no corpo, usuária do corpo e misturada com ele de uma forma ou de outra (cap. 34),
3. nem o composto de alma e corpo no sentido aristotélico (cap. 5),
4. mas o animal no sentido de composto por um corpo específico e por um lampejo emitido pela alma (6, 1-7, 6).
III. SÍNTESE ANTROPOLÓGICA (7, 6-8, 23).
1. O composto animal é presidido e controlado pelo homem enquanto sujeito das percepções e dos raciocínios, opiniões e intelectos delas derivados (7, 6-18).
2. O animal total consiste na besta inferior e no homem verdadeiro, especificado por sua racionalidade (7, 18-24).
3. O intelecto da alma é presidido por dois níveis superiores correspondentes às duas primeiras Hipóstases (8, 1-10).
4. O homem propriamente dito é a alma, que consiste em uma essência indivisível e na qual se divide, ou melhor, parece dividir-se nos corpos, projetando neles, como em espelhos, uma série de imagens suas (8, 10-23).
IV. O SUJEITO DA VIDA MORAL (capítulos 9-12).
1. O erro e o pecado são próprios do composto animal, enquanto o próprio homem nem erra nem peca, dado que o próprio do primeiro é o corporal, enquanto o próprio do segundo é a vida intelectiva (cap. 9).
2. O próprio do verdadeiro homem são as virtudes intelectivas, enquanto o próprio do composto animal são as virtudes práticas (cap. 10).
3. Nas crianças e nos animais, o campo da consciência é muito reduzido (cap. 11).
4. A alma real é impecável: o pecado, o castigo e a descida ao corpo e ao Hades são próprios da «outra espécie de alma» (cap. 12).
V. O SUJEITO DA VIDA INTELECTIVA (cap. 13). —O sujeito da presente análise crítica é o homem enquanto alma. A vida intelectiva transcende a do composto animal e é própria do homem.
Armstrong
APE
O que há em nós que sente e pensa — a alma, o corpo ou uma combinação de ambos (cap. 1)? Em primeiro lugar, o que entendemos por alma? Seria uma espécie de Forma? Se assim for, ela seria impassível e transcenderia a vida corporal, dando ao corpo e não recebendo nada dele. Como, então, a alma se relaciona com o corpo? Nossa conclusão, após examinar várias visões que foram apresentadas, é que nossa alma superior, nosso verdadeiro eu, é de fato totalmente imune às sensações e paixões da vida corporal; estas pertencem à combinação da alma inferior — uma espécie de emanação da alma superior — e do corpo; a razão, por outro lado, é uma atividade de nosso verdadeiro eu (cap. 2-7). As realidades superiores, o Intelecto e Deus, o Um ou o Bem que está além do Intelecto, nós possuímos como “nossas” em certo sentido, mas ainda assim elas nos transcendem (cap. 8). O erro e o pecado pertencem à nossa natureza inferior; assim como as virtudes morais que resultam do hábito e do treinamento; o verdadeiro raciocínio e as virtudes intelectuais pertencem ao nosso verdadeiro e superior eu (capítulos 9-10). Após uma breve consideração sobre a consciência das crianças e a consciência das almas humanas transmigradas em corpos animais (cap. 11), chegamos ao sério problema de como conciliar nossa visão da ausência de pecado do verdadeiro eu com o ensinamento de Platão sobre julgamento e punição após a morte; concluímos que é a alma inferior, a “imagem” da alma superior, que peca, é punida e vai para o Hades (cap. 12). Esta investigação, sendo uma atividade propriamente intelectual, foi realizada pelo nosso verdadeiro eu ou alma superior e, ao realizá-la, moveu-se com um movimento que não é o dos corpos, mas o de sua própria vida (cap. 13).
Lloyd
LPE
§1. Qual é o sujeito dos estados e atividades corporais?
§2. O que é a alma? Ela própria é um composto ou é forma?
§3. As diversas maneiras pelas quais a alma tem sido concebida em relação ao corpo.
§4. A alma confere vida ao corpo sem se misturar com ele.
§5. Como os estados do corpo podem ser transmitidos à alma?
§6. Em que sentido a alma está ativamente envolvida com o corpo e em que sentido é impassível?
§7. Não é a alma em si que dota o corpo de vida, mas sua atividade.
§8. Relação da alma incorporada com o Intelecto.
§9. O vício é atribuído ao ser vivo, não à alma em si.
§10. A ambiguidade do “nós” entre o eu encarnado e o eu desencarnado.
§11. O estado psíquico das crianças e dos animais.
§12. A responsabilidade moral pertence apenas ao eu encarnado, a imagem do verdadeiro eu.
§13. Mais uma vez, a ambiguidade na referência ao sujeito da atividade intelectual.
