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I-13

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 13. Atributos divinos ligados às Leis.

Para outras questões relacionadas com o Parmênides, consulte o nosso comentário. Por enquanto, basta ter demonstrado que este diálogo contém uma exposição formal e completa da teologia. Agora, é necessário começar o estudo da teologia de Platão pelos atributos que são comuns a todos os deuses (p. 59.2-13).

No livro X das Leis, Platão ensina três proposições fundamentais: 1° os deuses existem, 2° nada escapa à sua providência, 3° essa providência é inflexível. Essas três proposições constituem os próprios princípios da teologia e vamos examiná-las para compreender a ordem natural que as une (p. 59.14-60.10).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Assunção dos dogmas demonstrados nas Leis como concepções mistagógicas mais antigas e líderes na verdade sobre os Deuses
  • Três asserções capitais de Platão nas Leis:
    • Os Deuses existem (theoi eisin)
    • Sua providência (pronoia) estende-se a todas as coisas
    • Administram todas as coisas segundo justiça (kata diken), sem perversão por naturezas piores
  • Prioridade evidente destes dogmas: hyparxis dos Deuses, providência boniforme, poder imutável e não desviante
  • Método de investigação: abraçar pelo processo racional o método científico de Platão sobre cada um, começando pelas provas irrefragáveis da existência dos Deuses
  • Divisão necessária de todos os seres segundo o movimento
    • Alguns movem apenas (kinoun monon)
    • Outros são movidos apenas (kinoumenon monon)
    • Naturezas entre estes: ambas movem e são movidas (kinoun kai kinoumenon)
    • Subdivisão destes últimos: movem outros sendo movidos por outros, ou são automotivos (autokineton)
  • Série ordenada das quatro hipóstases
    • Movido apenas: depende de causas primárias
    • Move e é movido: anterior a este
    • Automotivo: além do que move e é movido, começa de si mesmo, dá representação de ser movido a outras coisas
    • Imóvel (akineton): precede tudo que participa de movimento produtivo ou passivo
  • Subordinação do automotivo
    • Natureza automotiva possui perfeição em transição e intervalo de vida, depende de causa mais antiga que subsiste sempre segundo identidade e de modo similar
    • Vida desta causa não no tempo, mas na eternidade (aion); tempo é imagem da eternidade
    • Se automotivos são movidos no tempo, forma eterna de movimento acima do carreado no tempo; natureza automotiva é segunda em ordem, não primeira dos seres
  • Suspensão do que move outros e é movido
    • Necessidade de suspensão de natureza automotiva, assim como toda fabricação altermotiva, como demonstra o Hóspede Ateniense
    • Argumento: se tudo estivesse parado sem natureza automotiva, não haveria o primeiro movido; o imóvel não é adaptado a ser movido, o altermotivo é indigente de outro poder motor
    • Natureza automotiva começa de sua energia, move a si e a outros secundariamente
  • Hierarquia descendente do movimento
    • Movido apenas suspenso primeiro de coisas movidas por outro mas que movem outros
    • Série dos movidos preenchida por seus próprios meios de modo ordenado
  • Classificação dos corpos e incorpóreos
    • Corpos pertencem ao movido apenas, são passivos, improdutivos devido à hipóstase dotada de intervalo, magnitude e bulk
    • Incorpóreos: alguns divisíveis ao redor de corpos, outros isentos de tal divisão
    • Incorpóreos divisíveis (qualidades, formas materiais) pertencem ao que é movido por outro mas move outros: participam de poder motor por alocação incorpórea, mas privados de poder de convergir a si mesmos por divisão em corpos
  • Necessidade e natureza do automotivo
    • Natureza automotiva anterior a estes, perfeitamente estabelecida em si, não em outros, fixando energia em si
    • Natureza isenta de corpos, no céu e nos elementos mutáveis, da qual corpos derivam primariamente poder de ser movidos
    • Busca desta essência: seguindo Sócrates, considerando o fim das coisas
  • Identificação do automotivo com a alma
    • Naturezas inanimadas são apenas altermotivas
    • Resta que naturezas animadas possuem esta representação, são automotivas secundariamente
    • Alma nelas move primariamente a si mesma, é automotiva, e de seu poder deriva vida e representação de automotividade aos corpos
    • Alma além dos corpos, movimento de todo corpo progênie da alma e do movimento que contém
  • Consequência cosmológica: almas governantes no céu
    • Céu inteiro e corpos com vários movimentos naturais (circulação) devem ter almas governantes essencialmente mais antigas que corpos
    • Almas movidas em si mesmas, iluminam supernalmente corpos com poder de ser movidos
  • Caráter racional das almas cósmicas
    • Almas que dispõem ordenadamente mundo e partes, imprimindo causa de movimento a corpos destituídos de vida
    • Movem todas as coisas conforme razão (não irracionalmente)
    • Argumento: ordem dos períodos, movimento limitado por uma razão, posição dos corpos, etc., requerem causa estável, capaz de distribuir tudo ordenadamente com invariável identidade de subsistência
    • Tudo irracional é adornado por algo diferente de si, indefinido e não adornado em sua natureza; confiar o céu a isto não se adapta à natureza ou concepções indisciplinadas
  • Alma intelectual como governante
    • Alma intelectual e que emprega razão governa todas as coisas; todo movimento perpétuo governado por tal alma
    • Nenhum dos todos no universo destituído de alma (corpo não é honroso sem tal poder, segundo Teofrasto)
    • Questão: possui poder intelectual, perfeito e benéfico segundo participação ou segundo essência?
      • Se segundo essência: toda alma seria assim, pois cada uma é automotiva por natureza
      • Se segundo participação: haverá outro intelecto subsistindo em energia, mais antigo que alma, que possui intelecção essencialmente
      • Natureza intelectual dupla: uma subsistindo primariamente no próprio intelecto divino; outra procedendo deste, subsistindo secundariamente na alma; mais presença ou iluminação intelectual no corpo
  • Causa da estabilidade e ordem cósmica
    • Céu esférico, movido circularmente, revolvendo com identidade de circulação segundo ordem definida
    • Participação de formação específica segundo intelecto necessária para ideia e potência imutável
    • Alma fornece movimento; causa de estabelecimento firme, que reduz mutação instável a identidade, vida limitada por uma razão, circulação com invariável identidade, superior à alma
  • Síntese hierárquica
    • Corpo e natureza sensível: altermotivos
    • Alma: automotiva, liga todos os movimentos corpóreos
    • Intelecto: imóvel (causa líder de todo movimento, fonte de toda vida)
  • Caracterização do mundo no Timeu
    • Animal dotado de alma e intelecto (zoon empsychon kai noeron)
      • Animal segundo sua natureza e vida que permeia da alma
      • Animado/dotado de alma segundo presença de alma divina
      • Dotado de intelecto segundo dominação intelectual
    • Fornecimento de vida, governo da alma e participação do intelecto conectam e contêm todo o céu
  • Intelecto essencialmente divino
    • Essência do intelecto mesma que sua intelecção (denominado divino)
    • Mundo suspenso de sua divindade: movimento presente de alma, permanência perpétua e identidade derivada do intelecto
    • União única, conspiração, simpatia, medida todo-perfeita originadas da unidade que torna o intelecto uniforme, a alma uma, todo ser perfeito
  • Participação em cascata da divindade
    • Corpóreo altermotivo deriva da alma representação de poder automotivo, é animal
    • Alma automotiva participa de vida segundo intelecto, energiza no tempo, possui energia incessante e vida vigilante de sua proximidade ao intelecto
    • Intelecto possui vida na eternidade, subsiste essencialmente em energia, fixa intelecção estável de uma vez; é totalmente deífico pela causa anterior a si
    • Energias duplas (como diz Plotino): algumas como intelecto, outras como embriagadas com néctar; intelecto, pelo que é anterior e não intelecto, é um deus
  • Suspensão de todas as coisas do Um através de mídias
    • Intelecto tem forma de unidade
    • Alma tem forma de intelecto
    • Corpo do mundo é vital
    • Tudo é conjugado com o que é anterior a si
    • Naturezas posteriores gozam do divino em grau mais próximo ou remoto
  • Graduação da divindade
    • Divindade anterior ao intelecto, primariamente carreada em natureza intelectual
    • Intelecto mais divino, deificado antes de outras coisas
    • Alma divina, enquanto requer meio intelectual
    • Corpo que participa de tal alma também divino (iluminação da luz divina permeia até últimas dependências), mas não simplesmente divino; alma, olhando ao intelecto e vivendo de si, é primariamente divina
  • Extensão da analogia a cada esfera e elemento
    • Todas imitam o céu inteiro, têm alocação perpétua
    • Elementos sublunares não têm mutação essencial inteira, permanecem no universo segundo sua totalidade, contêm animais parciais
    • Toda totalidade tem essências mais parciais posteriores a si
    • Em cada elemento, totalidades preexistentes a partes arranjadas com partes
  • Cada esfera como animal ordenado
    • Cada esfera animal, estabelecida sempre do mesmo modo, completa o universo
    • Como possui vida, participa primariamente de alma
    • Como preserva ordem imutável, é compreendida por intelecto
    • Como uma e toda, líder e governante de suas partes próprias, é iluminada por união divina
  • Síntese da hierarquia cósmica
    • Um universo, mas muitos outros sob este, dependentes
    • Uma alma do universo, outras almas com esta dispondo partes com pureza indefectível
    • Um intelecto, e número intelectual sob este, participado por estas almas
    • Um deus que contém conectivamente de uma vez todas as naturezas mundanas e supermundanas, e multidão de outros deuses distribuindo essências intelectuais, almas suspensas destas, e todas as partes do mundo
  • Princípio de geração do semelhante
    • Produções da natureza geram coisas similares a si
    • Todos e primeiros dos seres mundanos devem conter em si o paradigma desta geração
    • Semelhante mais aliado e adaptado à razão de causa que o dissemelhante, como o mesmo que o diferente, limite que o ilimitado
  • Transição para segunda demonstração das Leis: providência divina estendendo-se a todos e partes

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