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I-15

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 15. Atributos divinos extraídos das Leis. 2. Providência dos deuses.

Acabamos de ver que os deuses são a causa de todos os movimentos, incluindo o movimento que produz os seres na existência. Em particular, se a alma é a causa do movimento local e da mudança quantitativa, da mudança quantitativa e do surgimento de tudo o que existe no mundo, a fortiori o intelecto e o Um são as causas dos seres (p. 69.15-70.21).

Como é uma lei universal que as causas cuidam de seus produtos, se os deuses causam os seres, nenhum ser escapa à sua providência (p. 70.22 -71.13).

Para o exercício dessa providência, os deuses possuem todos os atributos necessários: eles sabem que é seu dever, têm o poder de cumpri-lo e sua bondade faz disso um dever (p. 71.14-74.16).

Contra os epicuristas, é preciso afirmar que essa providência não os oprime com preocupações, nem os desonra, nem os cansa. Como agem por seu próprio ser, há uma coincidência neles entre sua natureza e sua vontade (p. 74.17-76.9).

É privilégio da filosofia de Platão ter reconhecido esse modo original da atividade divina, que pode se estender a todos os seres sem perder nada de sua transcendência (p. 76.10-77.4).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Conexão com os dogmas anteriores: existência dos Deuses e providência universal
  • Problema a investigar: como assumir o imperturbável (atrepton) nos Deuses, que realizam tudo segundo justiça (dike) e não subvertem seu limite ou retidão inabalável
  • Princípio geral do governo natural
    • Tudo que governa segundo natureza e atende à felicidade (eudaimonia) dos governados torna-se líder destes e os direciona ao melhor (to ariston)
    • Exemplos ilustrativos:
      • Piloto: fim precedente é segurança dos navegantes e do navio
      • Médico: cuida dos doentes para saúde, seja cortando ou administrando purgativo
      • General: visa liberdade dos soldados
      • Guardião: visa liberdade dos guardados
    • Princípio geral: líder ou curador não subverte o bem daqueles que segue, que é sua tarefa prover
  • Aplicação aos Deuses como líderes de todas as coisas
    • Concessão: Deuses são líderes (hegemonas) de todas as coisas, providência estende-se a tudo, são bons e possuem toda virtude
    • Consequência necessária: não podem negligenciar a felicidade dos objetos de seu cuidado providencial
    • Superioridade em relação a outros líderes: Deuses sempre olham ao melhor, estabelecem como fim de todo governo; outros líderes podem negligenciar o bem dos homens, abraçar vício por perversão de dons dos depravados
  • Títulos honoríficos aplicáveis à natureza divina
    • Líderes, governantes, guardiões, pais – todos veneráveis e honoráveis subsistem primariamente neles
    • Coisas aqui mais veneráveis e honoráveis exibem semelhança última com os Deuses
    • Referência aos sábios em assuntos divinos celebrando poderes paternais, guardiães, governantes e peãnicos
  • Impossibilidade de os Deuses não direcionarem governo à virtude e vício humanos
    • Imagens dos Deuses subsistentes segundo natureza atendem providentemente à ordem das coisas que governam
    • Deuses mesmos, possuindo todo o bem, virtude verdadeira e real, vida irrepreensível, devem direcionar governo à virtude e ao vício dos homens
    • Admissão contrária levaria a exibir virtude vitoriosa e vício vencido? Corromperiam medidas da justiça pela adoração dos depravados, subverteriam limite da ciência inabalável, fariam dons do vício parecer mais honrosos que as buscas da virtude
  • Consequências danosas de uma providência pervertida
    • Nem vantajosa para líderes, nem para seguidores
    • Para os que se tornaram maus: nenhuma libertação da culpa, sempre tentariam antecipar justiça, perverter medidas do merecimento
    • Necessidade ilegítima: Deuses considerarem vício como fim último, negligenciarem verdadeira salvação, serem causas apenas do bem adumbrado
    • Universo e mundo cheios de desordem e perturbação incurável, depravação permanecendo, repletos de discórdia como em cidades mal governadas
  • Impossibilidade de partes serem melhor governadas que todos
    • Partes governadas segundo natureza em maior grau que todos? Assuntos humanos que divinos? Imagens que causas primárias? Perfeitamente impossível
    • Se homens propriamente atendem ao bem-estar de outros, honrando alguns, desgraçando outros, dando direção adequada às obras do vício pelas medidas da virtude, muito mais necessário que Deuses sejam governantes imutáveis de todas as coisas
    • Homens alçam esta virtude através de semelhança com os Deuses
  • Reductio ad absurdum da imitação de providência corrupta
    • Se homens que corrompem segurança e bem-estar dos governados imitam em maior grau a providência dos Deuses, subvertemos ignorantemente a verdade sobre os Deuses e a transcendência da virtude
    • Evidência: o mais similar aos Deuses é mais feliz que o privado deles por dissemelhança e diversidade
    • Se entre homens a forma não corrompida e inabalável de providência é honrosa, sem dúvida muito mais honrosa com os Deuses
    • Se com eles dons mortais são mais veneráveis que medidas divinas da justiça, com homens também dons terrenos seriam mais honrosos que bens olímpicos, lisonjas do vício que obras da virtude
  • Síntese platônica no terceiro dogma das Leis
    • Com vista à felicidade mais perfeita, Platão entrega através destas demonstrações:
      • Hyparxis dos Deuses
      • Cuidado providencial estendendo-se a todas as coisas
      • Energia imutável (atreptos energeia)
    • Estas coisas comuns a todos os Deuses, mas mais principais e primeiras segundo natureza na doutrina pertencente a eles
  • Pervasão desta tríade na hierarquia divina
    • Tríade aparece permear até as naturezas mais parciais nas ordens divinas, originando-se supernalmente dos gêneros ocultos de Deuses
    • Hyparxis uniforme, poder que cuida providencialmente de todas as naturezas secundárias, intelecto inabalável e imutável presentes em todos os Deuses anteriores e no mundo

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