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I-17

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 17. Atributos divinos extraídos da República.

Após esses três atributos divinos extraídos das Leis, que correspondem à tríade caldeia, existência, poder, intelecto, passemos aos extraídos da República (p. 80.14-81.3).

No livro II da República, ao ensinar aos compositores de mitos modelos teológicos a seguir, Platão mostra duas propriedades comuns a todos os deuses: 1° os deuses são a causa de todo o bem e de nenhum mal, 2° eles são imutáveis e incapazes de variar e mentir (p. 81.4-27).

Essas propriedades manifestam três atributos: bondade, imutabilidade, verdade, correspondendo a três aspectos da divindade: bem, eternidade, intelecto (p. 81.28-82.6).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Premissa fundante: o que tem a hyparxis de si e toda sua essência definida no Bem, e que por seu ser produz todas as coisas, deve necessariamente ser produtivo de todo bem, mas de nenhum mal
  • Identificação do Bem primário com a divindade
    • Se houvesse algo primordialmente bom que não fosse Deus, poderia-se dizer que a divindade é causa de bem, mas não concede todo bem aos seres
    • Contudo, não apenas todo Deus é bom, mas o que é primordialmente boniforme e benéfico é Deus (o primariamente bom não seria segundo após os Deuses)
    • Coisas com subsistência secundária recebem peculiaridade de sua hyparxis das que subsistem primariamente
    • Conclusão: necessidade perfeita de que a divindade seja causa do bem, e de que todos os bens procedam em descidas secundárias até as últimas coisas
  • Analogia com outras causas primárias
    • Poder causa da vida dá subsistência a toda vida
    • Poder causa do conhecimento produz todo conhecimento
    • Poder causa da beleza produz tudo belo (em palavras e fenômenos)
    • Toda causa primária produz todos os similares de si e liga a si a hipóstase única das coisas que subsistem segundo uma forma
    • Aplicação ao Bem: primeiro e mais principal bem, e hyparxis uniforme, estabelece em e sobre si as causas e compreensões de todos os bens de uma vez
  • Universalidade da causalidade do Bem divino
    • Nada bom que não possua este poder dele, nada benéfico que, convertido a ele, não participe desta causa
    • Todos os bens são daí produzidos, aperfeiçoados, preservados; série e ordem única do bem universal dependem dessa fonte
  • Os Deuses como fornecedores de todo bem e de nenhum mal
    • Pela mesma causa de hyparxis, os Deuses são fornecedores de todo bem e de nenhum mal
    • O primariamente bom dá subsistência a todo bem de si, não é causa de alocação contrária a si
    • Exemplos: produtor de vida não causa privação de vida; fonte da beleza isenta da natureza do destituído de beleza e deforme
    • Não é lícito afirmar que o que primariamente constitui o bem é causa de progênie contrária
    • Natureza dos bens procede daí indefectível, não misturada e uniforme
  • Participação diferenciada do bem divino
    • Causa divina dos bens estabelecida eternamente em si, estendendo a todas as naturezas secundárias participação não invejosa e exuberante do bem
    • Participantes:
      • Alguns preservam a participação com pureza incorruptível, recebendo bem próprio em seios indefectíveis, possuindo por abundância de potência alocação inevitável de bens adaptados
      • Naturezas arranjadas nas últimas de todas as coisas: gozam segundo sua natureza da bondade dos Deuses (não é possível coisas destituídas de bem terem ser ou subsistir); mas recebendo efluxo, não preservam dom puro e não misturado, nem retêm bem próprio de modo estável com invariável identidade
      • Tornam-se imbecis, parciais e materiais, cheias da privação de vitalidade de seu sujeito, exibindo à ordem privação de ordem, à razão irracionalidade, à virtude seu contrário, o vício
  • Localização do mal na hierarquia dos seres
    • Naturezas que se classificam como todos (hola): isentas de perversão deste tipo; coisas mais perfeitas nelas sempre tendo domínio segundo natureza
    • Naturezas parciais: por diminuição de potência, sempre divergindo em multidão, divisão e intervalo, obscurecem participação do bem, substituem contrário na mistura com bem (vencido pela combinação)
    • Mal não subsiste não misturado e perfeitamente destituído de bem; algo pode ser mal para uma parte, mas inteiramente bom para o todo e para o universo
  • Perfeição e felicidade do universo
    • Universo sempre feliz, sempre consiste de partes perfeitas e subsistentes segundo natureza
    • Preternatural (para physin) sempre mal para naturezas parciais; deformidade, privação de simetria, perversão e semelhança de subsistência nestes
    • Corrompido corrompe-se a si, parte de sua perfeição própria, mas para o universo é incorruptível e indestrutível
    • Tudo privado de bem, quanto a si e subsistência própria, privado por imbecilidade de natureza; mas é bom para o todo, enquanto parte do universo
    • Não possível inserir no universo privação de vida, deformidade e imoderação, ou privação; número todo sempre perfeito, mantido junto pela bondade dos todos
    • Vida presente em toda parte, com existência e ser perfeito, na medida em que cada coisa dá complemento ao todo
  • Origem do mal: não do poder divino, mas da imbecilidade dos receptores
    • Divindade causa do bem; subsistência sombria do mal não subsiste do poder, mas da imbecilidade das naturezas que recebem as iluminações dos Deuses
    • Mal não está nos todos, mas em naturezas parciais, nem mesmo em todas estas
      • Primeiras das naturezas parciais e gêneros intelectuais parciais eternamente boniformes
      • Médias destas, que energizam no tempo, conectando participação do bem com mutação e movimento temporal, incapazes de preservar dom dos Deuses imóvel, uniforme e simples; obscurecem simplicidade do dom por variedade, por natureza multiforme e uniforme, por comistura sua pureza e incorruptibilidade
      • Últimas das naturezas parciais e materiais: pervertem bem próprio em maior grau; misturadas com privação de vida, subsistência semelhante à de imagem, repleta de muito não-ser, consiste de coisas hostis entre si, circunstâncias mutáveis e dispersas no tempo
  • Caracterização do mal nas naturezas parciais
    • Coisas situadas em lugar estranho: co-introduzem todo junto com forma, governam natureza sujeita; recuando ao parcial de sua totalidade própria, participando de particibilidade, imbecilidade, guerra e divisão fonte da geração, necessariamente mudadas de todos os modos
    • Nem todo ser perfeitamente bom (haveria corrupção e geração de corpos, purificação e punição de almas)
    • Nenhum mal nos todos (mundo não seria deus bendito se partes principais fossem imperfeitas)
    • Deuses não causas dos males como dos bens; mal origina da imbecilidade dos receptores do bem e subsistência nas últimas coisas
    • Mal com subsistência sombria em naturezas parciais não é não misturado com bem; participa dele em certo respeito, sendo detido pelo bem pela própria existência
    • Mal perfeitamente destituído de todo bem não pode subsistir; o próprio mal está além do que não tem existência nenhuma, assim como o próprio Bem está além do que é perfeitamente ser
  • Ordenação final do mal pelo bem
    • Mal em naturezas parciais não deixado em estado desordenado; feito subserviente a bons propósitos pelos Deuses; justiça purifica almas da depravação; outra ordem de deuses purifica depravação em corpos
    • Todas as coisas convertidas tanto quanto possível à bondade dos Deuses
    • Todos permanecem em limites próprios, gêneros perfeitos e benéficos dos seres
    • Naturezas mais parciais e imperfeitas adornadas e arranjadas de modo adequado, tornadas subservientes à complementação dos todos, chamadas ao belo, mudadas, gozam participação do bem tanto quanto possível
  • Medida da participação do bem
    • Não pode haver bem maior para cada uma destas que o que os Deuses concedem segundo medidas à sua progênie
    • Todas as coisas, separadamente e em comum, recebem porção de bem possível de participar
    • Se algumas preenchidas com mais bens, outras com menos, causa deve ser atribuída à potência dos receptores e medidas da distribuição
    • Coisas diferentes adaptadas a seres diferentes segundo natureza
    • Deuses sempre estendem bem, como sol sempre emite luz; coisa diferente recebe luz diferentemente segundo ordem, recebe maior porção capaz de receber
    • Todas as coisas conduzidas segundo justiça; bem não ausente de nada, presente a tudo segundo limite apropriado de participação
  • Rejeição de princípios maléficos primordiais
    • Nenhum princípio produtivo precedente do mal na natureza, paradigmas intelectuais de males como há de bens, alma maléfica, causa produtora de mal nos Deuses, sedição e guerra eterna contra o primeiro Bem
    • Tudo isto estranho à ciência de Platão, mais remoto da verdade, errante em insensatez bárbara e mitologia gigantesca
    • Se certos narradores obscuros em narrações arcanas inventam tais coisas, não devemos alterar aparato aparente do que indicam
    • Verdade daquelas coisas a ser investigada; ciência de Platão genuinamente recebida nos seios puros da alma, preservada indefectível e não misturada com opiniões contrárias

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