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I-25

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 25. Atributos divinos correspondentes aos três anteriores: fé, verdade, amor.

A tríade: bondade, ciência, beleza, encontra-se em todos os deuses e determina neles outra tríade que lhe responde: à beleza corresponde o amor, à ciência, a verdade, à bondade, a fé (p. 109.4-110.16).

Essa fé dos deuses é superior ao conhecimento sensível ou científico, às noções comuns, à atividade do intelecto, é a posse tranquila do Bem. É ele que enche de alegria o intelecto, que coloca a alma em busca dele, que leva também os animais a desprezar até mesmo a vida por ele (p. 110.17-111. 24).

Essa noção de fé se encontra não apenas nos Oráculos Caldeus, mas também de forma negativa em Platão, nas Leis, quando ele mostra que a ausência da boa fé e da verdade torna impossível qualquer amizade. A fé é, portanto, o que unifica todas as virtudes (p. 111.25-112.24).

Fé, verdade e amor expressam-se na loucura amorosa, na filosofia e na teurgia, e esta última supera toda a sabedoria e toda a ciência (p. 112.25-113.10).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Questionamento sobre o que une ao Bem, causa cessação de energia e movimento, estabelece naturezas divinas na unidade inefável da bondade
  • Resposta: a fé dos Deuses (pistis theon) que une inefavelmente todos os gêneros de Deuses, daemones e almas benditas ao bem
  • Modo de investigação do Bem
    • Nem gnosticamente, nem imperfeitamente
    • Entrega à luz divina, fechando os olhos da alma, estabelecendo-se na unidade desconhecida e oculta dos seres
    • Fé deste tipo mais antiga que energia gnóstica, não apenas em nós, mas nos próprios Deuses
  • Função unificadora da fé divina
    • Todos os Deuses unidos por ela; coletam uniformemente em torno de um centro todas as potências e progressões
  • Definição diferencial da fé divina
    • Não é fé conversante com perambulação sobre sensíveis (endeixa peri aistheta)
      • Esta falta ciência, muito mais verdade dos seres
      • Fé dos Deuses supera todo conhecimento, conjunta naturezas secundárias com primeiras segundo mais alta união
    • Não é fé de espécie similar à crença celebrada em concepções comuns (koinai ennoiai)
      • Crença anterior a todo raciocínio, mas conhecimento destas divisível, não equivalente a união divina
      • Ciência destas não apenas posterior à fé, mas à simplicidade intelectual; intelecto estabelecido além de toda ciência
    • Não é energia segundo intelecto (kata noun energeia)
      • Energia intelectual multiforme, separada do objeto de intelecção por diferença; movimento intelectual sobre o inteligível
      • Fé divina deve ser uniforme e quieta, perfeitamente estabelecida no porto da bondade
  • Estabilidade e credibilidade do Bem como fundamento da fé
    • Nada tão credível e estável, tão isento de ambiguidade, apreensão divisível e movimento quanto o Bem
    • Através dele, intelecto abraça outra união mais antiga que energia intelectual, e anterior a ela
    • Alma considera variedade do intelecto e esplendor das formas como nada em relação à transcendência do Bem
    • Alma dispensa percepção intelectual, corre de volta à hyparxis própria; sempre persegue, investiga, aspira ao Bem, apressa-se a abraçá-lo, entrega-se apenas a ele sem hesitação
    • Animais mortais desprezam todas as outras coisas, vida e ser mesmo, por desejo da natureza do Bem (Diotima)
    • Tendência imóvel e inefável de todas as coisas ao Bem; tudo o mais considerado secundário, desprezado
    • Porto seguro único de todos os seres; especialmente objeto de crença para todos os seres
  • Denominação teológica e platônica desta união como fé
    • Conjunção e união com o Bem denominada fé pelos teólogos e por Platão
    • Aliança desta fé com verdade e amor proclamada nas Leis
    • Ignorância da multidão: quem concebe estas coisas, ao discursar sobre seus contrários, infere o mesmo sobre desvios desta tríade
    • Platão afirma claramente: amante da falsidade (philopseudes) não acreditável; não acreditável destituído de amizade (aphilos)
    • Logo, amante da verdade digno de crença; digno de crença bem adaptado à amizade
    • Possibilidade de examinar verdade, fé e amor divinos, compreender seu comunhão estável
  • Fé como virtude civil unificadora
    • Platão denomina fidelidade (pistis) virtude que concilia discordantes, subverte maiores guerras (sedições)
    • Fé aparece como causa de união, comunhão e quietude
    • Se tal poder existe em nós, muito mais nos próprios Deuses
    • Analogia: Platão fala de temperança, justiça e ciência divinas; fé que compreende conectivamente toda ordem das virtudes deve subsistir com os Deuses
  • Síntese das duas tríades
    • Três coisas que reabastecem naturezas divinas e são fontes de plenitude para todos os gêneros superiores de seres:
      • Bondade (agathotes)
      • Sabedoria (sophia)
      • Beleza (kallos)
    • Três coisas que coletam as naturezas preenchidas (secundárias às primeiras, mas permeando todas as ordens divinas):
      • Fé (pistis)
      • Verdade (aletheia)
      • Amor (eros)
    • Todas as coisas salvas através destes, conjuntas a causas primárias
    • Modos de salvação:
      • Alguns pela mania amorosa (erotike mania)
      • Outros pela filosofia divina (theia philosophia)
      • Outros pelo poder teúrgico (theourgia dynamis) mais excelente que toda sabedoria humana, compreendendo bem profético, poderes purificadores do bem perfeccionador, efeitos de possessão divina

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