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I-26
Resumo de Saffrey e Westerink
Capítulo 26. Atributos divinos extraídos do Fedão. 1.
Divino, imortal, inteligível.
No Fedro, quando Platão ensina a semelhança da alma com o transcendente, ele o descreve por meio de duas tríades de atributos: 1° divino, imortal, inteligível; 2° unitário, indissolúvel, semelhante a si mesmo. Examinemos primeiro a primeira tríade (p. 113.18-114.4).
O divino é o ser que participa do Um (= o deificado) ou o um perfeitamente unido ao ser (= deus). É preciso prestar atenção ao fato de que Platão frequentemente emprega a palavra deus em sentido amplo, aplicando-a à alma, aos demônios e até mesmo aos homens (p. 114.5-116.3).
A imortalidade apresenta uma hierarquia de graus, desde a dos astros, que é artificial, passando pela das almas humanas, a dos demônios, a das almas divinas, até a dos deuses, que produz e mantém a vida eterna (p. 116.4-117.14).
O inteligível, que se opõe ao sensível, aparece nas almas e ainda mais nos intelectos, mas no ponto mais alto nos deuses, uma vez que é o inteligível divino que causa e torna perfeito todo intelecto (p. 117.15-118.9).
Resumo da tradução de Thomas Taylor
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Descrição platônica da essência superior (à qual a alma é similar)
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Divina (theion) e imortal (athanaton)
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Inteligível (noeton) e uniforme (monoeides)
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Indissolúvel (adialyton) e possuidora de identidade invariável de subsistência (tauton ae kata tauta echon)
Descrição da essência inferior-
Totalmente contrária, corruptível e passível
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Sensível (aistheton) e multiforme (polyeides)
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Dissolúvel por ser composta; inclui tudo pertinente à subsistência corpórea
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Exame do “divino” (theion) e sua aplicação hierárquica
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Todo Deus subsiste segundo a mais alta união dos seres; aos que ascendem dos corpos, Deuses aparecem como unidades superessenciais, geradores, perfeccionadores e medidores de essências
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O divino não apenas hyparxis e o Um em cada ordem do ser, mas também o que participa e o participado
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Participado: um Deus (theos)
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Participante: divino (theion)
Definição provisória: divino é ser que participa do Um (on metechein tou henos), ou Um subsistindo conectivamente junto com ser (hen synestos to on)Assunção: todas as coisas exceto o Um nos Deuses são suspensas deles e secundárias (essência, vida, intelecto)Deuses não subsistem nestes, mas antes deles; produzem e contêm-nos em si, não são definidos por eles-
Uso ampliado do termo “Deus” por Platão
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Celebra participantes dos Deuses com os mesmos nomes, denomina-os Deuses
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Exemplos:
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Hóspede Ateniense nas Leis chama alma divina de Deus
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Sócrates no Fedro: “todos os cavalos e aurigas dos Deuses são bons e consistem de coisas boas”, “esta é a vida dos Deuses”
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Seres sempre conjuntos aos Deuses, que com eles completam uma série: denominados Deuses
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Homens chamados Deuses (ex.: Hóspede Eleata no Sofista)
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Distinção de modos de participação na divindade
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Um simplesmente Deus (haplos theos): naturezas superessenciais (cada uma primariamente Deus)
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Segundo união (kath' henosin): naturezas intelectuais
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Segundo participação (kata methexin): almas divinas
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Segundo contato (kath' haphen): daemones divinos
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Segundo semelhança (kath' homoiotesin): almas de homens
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Cada um destes antes divino que Deus
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Hierarquia do divino
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Hóspede Ateniense chama o próprio intelecto divino; divino posterior à primeira divindade
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Unido posterior ao Um, intelectual ao intelecto, animado à alma
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Naturezas mais uniformes e simples têm precedência; série dos seres termina no próprio Um
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Análise do imortal (athanaton) e suas ordens hierárquicas
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Muitas ordens de imortalidade em Platão, permeando do alto até as últimas coisas
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Último eco da imortalidade: naturezas visíveis perpétuas, com imortalidade renovada do pai (Hóspede Eleata)
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Todo corpo tem ser e vida dependentes de outra causa, não adaptado a conectar, adornar ou preservar a si
Imortalidade de daemones: anterior a ambas; gêneros incorruptíveis, não convergem à mortalidade, não cheios de natureza gerada/corruptívelImortalidade de almas divinas: mais venerável e essencialmente transcendente; primariamente automotivas, fontes e princípios da vida dividida em corpos, através das quais corpos obtêm imortalidade renovadaImortalidade nos próprios Deuses: separada e isenta de todas as coisas; eternidade (aion) subsistindo, fonte de toda imortalidade; tudo vive e possui vida por elaDefinição sumária: divino é imortal enquanto gera e compreende em si vida perpétua; não como participante de vida, mas como fornecedor de vida divina, deificante a própria vida-
Análise do inteligível (noeton) e suas camadas
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Denominado em oposição ao sensível e apreendido por opinião conjunta com sentido
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Desdobrado primeiramente nas causas mais principais:
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Alma: inteligível, isenta de sensíveis, essência separada
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Intelecto: anterior à alma, mais apropriado como inteligível; alma no meio, não conumerada com primeiras essências
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Inteligível mais antigo que intelecto: reabastece inteligência, perfecciona-a por si, ordenado como paradigma por Timeu antes do intelecto demiúrgico e energia intelectual
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Inteligível divino: definido segundo união mesma e hyparxis divina; inteligível como objeto de desejo do intelecto, perfeccionando e compreendendo intelecto, plenitude do ser
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Modos de denominar o inteligível
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Como hyparxis dos Deuses
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Como ser verdadeiro e primeira essência
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Como intelecto e toda vida intelectual
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Como alma e ordem psíquica
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Advertência: não forjar naturezas diferentes conforme nomes
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Ordem da tríade do Fédon
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Divino: não misturado, primeiro (ser deificado)
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Imortal: segundo (vida subsistindo segundo imortalidade dos Deuses)
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Inteligível: terceiro (intelecto denominado inteligível por repleto de união)
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