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I-28
Resumo de Saffrey e Westerink
Capítulo 28. Existência não gerada dos deuses.
Os deuses transcendem toda geração, porque não há entre eles divisão nem distinção (p. 120.8-21).
Se os mitos contam o nascimento de certos deuses, é porque escondem sob o véu dos eventos temporais as causalidades metafísicas. Mas quando Platão usa a dialética, ele afirma o caráter não gerado dos deuses, do qual participam seus produtos imediatos, o que levou a acreditar que o próprio universo é não gerado. Isso é um abuso de linguagem e, no sentido forte, só os deuses são não gerados (p. 120.22122.2).
Nas ficções míticas, os pais representam a unidade e os princípios superiores, as mães, a dualidade e os princípios inferiores. Encontramos essa mesma maneira de falar na exposição cosmogônica do Timeu (p. 122.3-26).
Quanto aos deuses gerados nos mitos, eles representam ora os descendentes dessas causas paternas e maternas, ora o elo que torna essas causas fecundas (p. 123.1-15).
Tradução de Thomas Taylor
Olhando para essas coisas, portanto, podemos desvendar o que é dito sobre as causas paternas e os poderes prolíficos das mães nas fábulas. Pois em todos os lugares, podemos supor que a causa de uma natureza mais excelente e mais uniforme é paterna; mas podemos dizer que a causa de uma natureza mais subordinada e parcial pré-existe na ordem de uma mãe. Pois, para os deuses, o pai é análogo à mônada e à causa do limite; mas a mãe é análoga à duade e ao poder infinito que gera os seres. A causa paterna, porém, é uniforme para Platão e está estabelecida em uma ordem mais elevada do que as naturezas que dela procedem, subsistindo antes de sua progênie na distribuição do desejável.
Novamente, a causa materna tem a forma da dualidade (díade); e, em um momento, apresenta-se à visão nas fábulas como mais excelente do que sua progênie, mas, em outro momento, como essencialmente subordinada a ela; como no Banquete, Platão chama a Pobreza de mãe do Amor. E isso não é apenas o caso em invenções fabulosas, mas também na teoria filosófica dos seres, como é evidente no Timeu.
Pois lá Platão chama o ser de pai, mas a matéria de mãe e ama da geração. Os poderes, portanto, que são prolíficos e aperfeiçoadores das naturezas secundárias, e os fornecedores de vida e causas de separação são mães, estando estabelecidos acima das naturezas por eles produzidas.
Mas os poderes que recebem as naturezas que procedem à luz, que multiplicam suas energias e estendem até mesmo a distribuição subordinada da progênie, também são chamados de mães.
Novamente, porém, a progênie de tais causas, em um momento, de fato, procede de acordo com a união de seus próprios princípios e é preenchida tanto pela causa paterna quanto pela materna; mas, em outro momento, ela contém o vínculo entre elas, estando disposta no meio, transmitindo os dons dos pais aos seios maternos e convertendo os receptáculos deles nas conclusões das causas primárias.
Mas das naturezas que subsistem a partir de princípios duplos pré-existentes, algumas são assimiladas à causa paterna; e tais gêneros de deuses são produtivos, defensivos e abrangentes. Pois produzir, conter e defender pertencem à causa do limite. Mas outros são assimilados à causa materna e são prolíficos, vivificantes e fornecedores de movimento, de multiplicação de poderes, de variedade e progressões. Pois todos estes são a progênie do infinito e da primeira multidão.
